segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Shiraz Australiano

Na última 5ª feira, dia 15 de agosto, realizamos no Rosmarino mais uma degustação, sendo que desta vez o tópico foi Shiraz Australiano. Participaram 7 confrades, que trouxeram vinhos de duas regiões australianas: Barossa e McLaren Vale, ambas no sul da Australia. Foram degustados 7 vinhos, de safras relativamente recentes (2005, 2007, 2009 e 2010), sendo tres de Barossa e quatro de McLaren Vale. Desta vez contamos com a magnifica contribuição do nosso confrade João Altman que escolheu um excelente menu que harmonizou magnificamente com os vinhos.

Sobremesa Livre em nosso cardápio

Couvert: Pão italiano, mini-ciabata, pão de queijo, patê de roquefort, manteiga e azeitona.

Entrada: Risoto de lingüiça defumada, radicchio, vinho tinto e fonduta de brie

Prato Principal: Confit de pato com gnocchi de semolina ao forno ou Filé mignon ao café com gnocchi de semolina ao forno.

Sobremesa: Entremet de chocolate, Torta de nozes carameladas, Merengue de chocolate belga e avelãs, Carolinas de creme, Ovos nevados, Profiteroles, Terrine de Frutas, Tiramisú, Creme brulée, Pastiera di grano, Bavarese de chocolate e Tarte Tatin

A degustação contou com sete vinhos, com níveis alcoólicos variando entre 14,5% e 15,5%.



A seguir uma breve descrição dos vinhos degustados:

Bloodstone 2010


Produtor: Gemtree Vineyards
País/Região: Australia/Barossa
Graduação alcoolica: 14.5%
Uvas: Shiraz
Confrade: Altman

Songlines 2005
Produtor: Pomegranate Wine Co.
País/Região: Australia/McLaren Vale
Graduação alcoolica: 14.5%
Uvas: Shiraz
Confrade: João Luiz

The Dead Arm 2007
Produtor: d'Arenberg Wines
País/Região: Australia/McLaren Vale
Graduação alcoolica: 14.5%
Uvas: Shiraz
Confrade: Ricardo

The Footbolt 2009
Produtor: d'Arenberg Wines
País/Região: Australia/McLaren Vale
Graduação alcoolica: 14.5%
Uvas: Shiraz
Confrade: Calabro

Jester 2007
Produtor: Mitolo Wines
País/Região: Australia/McLaren Vale
Graduação alcoolica: 14.5%
Uvas: Shiraz
Confrade: Paulo

Two Hands Bella's Garden 2007
Produtor: Two Hands Wines
País/Região: Australia/Barossa
Graduação alcoolica: 15.5%
Uvas: Shiraz
Confrade: Marcio

Schild Estate 2009
Produtor: Schild Estates
País/Região: Australia/Barossa
Graduação alcoolica: 14.5%
Uvas: Shiraz
Confrade: Joubert

Vinhos degustados


Os vinhos degustados se mostraram aromáticos, entretanto um deles apresentou sinais de oxidação. O clima quente marítimo do sul da Australia produz vinhos ricos, redondos e intensos, com sabores de ameixa e pequenas frutas vermelhas, alem de baunilha.  Os vinhos tinham taninos suaves e bem equilibrados.

Nesta degustação, os resultados do nosso painel apresentaram, uma pequena amplitude de notas, em linha com as boas degustações do ano, sendo na média aparada de 2 pontos (de 87,1 a 89,1).

O vinho que ficou em último lugar foi o Songlines 2005, produzido por Pomegranate Wine Co., na região de McLaren Vale, com 14,5% de alcool, escolhido o pior vinho por 4 confrades.

O segundo melhor vinho do painel, foi o Bloodstone 2010, produzido por Gemtree Vineyards na região de Barossa, com 14,5% de alcool, escolhido o segundo melhor vinho por 3 confrades.

O Campeão da noite, foi o Two Hands Bella’s Garden, produzido por Two Hands Wines, na Região de Barossa, com 15.5% de alcool, escolhido o melhor vinho por tres confrades e o segundo melhor por outro.



Vejam os resultados completos abaixo.


Não se esquecam que no dia 19/Setembro degustaremos Tintos Alentejanos. Até lá....

Não percam a próxima degustação.


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Priorato

Na última 5ª feira, dia 18 de julho, realizamos no Rosmarino mais uma degustação, desta vez de vinhos da região do Priorato, na Catalunia, com a presença de 7 confrades. Foram degustados 7 vinhos, de safras relativamente recentes (2005, 2006, 2006, 2008 e 2010). Nosso confrade Paulo foi o responsável pela escolha do menu.

Couvert: Pão italiano, mini-ciabata, pão de queijo, patê de roquefort, manteiga e azeitona.

Entrada: Brusqueta de caponata quente com verdes.


Primeiro prato: Fetuccine com funghi porcini.

Segundo prato: Ossobuco com polenta.

Sobremesa: Entremet de chocolate, Torta de nozes carameladas, Merengue de chocolate belga e avelãs, Carolinas de creme, Ovos nevados, Profiteroles, Terrine de Frutas, Tiramisú, Creme brulée, Pastiera di grano, Bavarese de chocolate e Tarte Tatin

Apesar da casa estar lotada, realizamos a nossa degustação na nossa mesa usual. Como de costume o serviço estava escelente.

A degustação contou com sete vinhos, com níveis alcoólicos variando entre 14,5% e 15,0%.


 A seguir uma breve descrição dos vinhos degustados:

Cruor 2006
Produtor: Casa Grande del Siurana
País/Região: Espanha/Priorat
Graduação alcoolica: 14.5%
Uvas: 30% Garnacha, 25% CS, 20% Merlot, 15% Syrah, 10% Monastrel
Confrade: João Luiz

Martinet Bru 2008
Produtor: Mas Martinet
País/Região: Espanha/Priorat
Graduação alcoolica: 14.5%
Uvas: Garnacha e Syrah
Confrade: Altman

Ferrer Bobet 2007
Produtor: Ferrer Bobet
País/Região: Espanha/Priorat
Graduação alcoolica: 15%
Uvas: Cariñena y Garnacha Negra
Confrade: Joubert

Les Crestes 2010
Produtor: Mas Doix
País/Região: Espanha/Priorat
Graduação alcoolica: 15%
Uvas: 80% Garnacha, 10% Cariñena, 10% Syrah
Confrade: Paulo

Salanques 2006
Produtor: Mas Doix
País/Região: Espanha/Priorat
Graduação alcoolica: 15%
Uvas: 65% Garnacha, 15% Cariñena, mais 20% de Syrah, Merlot e Cabernet Sauvignon
Confrade: Calabro

Clos Martinet 2005
Produtor: Mas Martinet
País/Região: Espanha/Priorat
Graduação alcoolica: 14.5%
Uvas: 45% Garnacha, 25% Syrah, 20% Cariñena e 10% Cabernet Sauvignon
Confrade: Marcio

Clos Mogador 2008
Produtor: Isabelle e Rene Barbier
País/Região: Espanha/Priorat
Graduação alcoolica: 14.5%
Uvas: 40% Garnacha, 35% CS, 20% Syrah e 5% Pinot Noir, Mourvedre e Merlot
Confrade: Ricardo

Vinhos degustados



Nesta degustação, os resultados do nosso painel apresentaram, uma pequena amplitude de notas, em linha com as boas degustações do ano, sendo na média aparada de apenas 1,9 pontos (de 87,2 a 89,1).

O vinho que ficou em último lugar foi o Clos Mogador 2008, produzido por Isabelle e Rene Barbier, com 14,5% de alcool, não tendo sido escolhido por nenhum confrade entre os melhores ou piores vinhos da noite.

O segundo melhor vinho do painel, foi o Salanques 2006, produzido por Mas Doix na região do Priorato, com 15% de alcool, que apesar de ter sido escolhido o melhor vinho por um confrade, o segundo melhor por outros dois, foi escolhido o pior vinho para dois confrades.

O Campeão da noite, foi o Cruor 2006, produzido pela Casa Grande del Siurana, com 14.5% de alcool, tendo sido escolhido o melhor vinho por dois confrades e o segundo melhor por outro.


Vejam os resultados completos abaixo.


Não se esquecam que no dia 15/Agosto degustaremos Shiraz Australiano. Até lá....


Não percam a próxima degustação.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Priorat

Priorat is a Catalan Denominació d'Origen Qualificada (DOQ) in Catalan for wines produced in the Priorat county to the south-west of Catalonia
The DOQ covers 11 municipalities. It primarily produces powerful red wines, which came to international attention in the 1990s. The area is characterised by its unique terroir of black slate and quartz soil known as llicorella.
It is one of only two wine regions in Spain to qualify as DOCa, the highest qualification level for a wine region according to Spanish wine regulations, alongside Rioja DOCa.
Priorat is the Catalan spelling, which is the one usually appearing on wine labels, while the Spanish spelling is Priorato.
History
The first recorded evidence of grape growing and wine production dates from the 12th century, when the monks from the Carthusian Monastery of Scala Dei, founded in 1194, introduced the art of viticulture in the area. The prior of Scala Dei ruled as a feudal lord over seven villages in the area, which gave rise to the name Priorat. The monks tended the vineyards for centuries until 1835 when they were expropriated by the state, and distributed to smallholders.
At the end of the 19th century, the phylloxera pest devastated the vineyards causing economic ruin and large scale emigration of the population. Before the phylloxera struck, Priorat is supposed to have had around 5,000 hectares (12,000 acres) of vineyards. It was not until the 1950s that replanting was undertaken. The DO Priorat was formally created in 1954. The seat of the DO's regulatory body was initially Reus, some 30 km to the east of the wine-region, rather than in Priorat itself.
In the decade from 1985, the production of bulk wine was phased out and bottling of quality wine phased in.
Early on, winemaking cooperatives dominated. Much of the development of Priorat wines to top class is credited to René Barbier and Álvaro Palacios. Winemaker Barbier, then active at a winery in Rioja owned by the Palacios family, bought his first land for Priorat vineyards in 1979, convinced of the region's potential. At this stage, there were 600 hectares (1,500 acres) of Priorat vineyards. In the 1980s, he convinced others, including Palacios, to follow suit and plant new vineyards in suitable locations, all named Clos. For the first three vintages, 1989–1991, the group of five wineries pooled their grapes, shared a winery in Gratallops, and made one wine sold under five labels: Clos Mogador (Barbier), Clos Dofi (Palacios, later renamed to Finca Dofi), Clos Erasmus, Clos Martinet and Clos de l'Obac. From 1992, these wines were made separately. In 1993, Palacios produced a wine called L'Ermita sourced from very old Priorat vines, which led to an increased interest in using the region's existing vineyards to produce wines in a new style.
The Catalan authorities approved of Priorat's elevation from DO to DOQ status in 2000, but national level confirmation from the Spanish Government in Madrid only came on July 6, 2009. In the period from 2000 to 2009, when it was approved as DOQ but not yet as DOCa, despite the fact that these designations were exactly the same but in Catalan and Spanish, respectively, the situation was somewhat confused. A new set of DOQ rules were approved by the Catalan government in 2006. The regulatory body moved from Reus to Torroja del Priorat in 1999.
The vineyard surface of Priorat has been continuously expanding since the Clos-led quality revolution in the 1990s. At the turn of the millennium there was 1,000 hectares (2,500 acres) of vineyards, with an equal amount of planting rights secured. As of 2009, there are close to 1,800 hectares (4,400 acres).
The DOQ comprises the valleys of the rivers Siurana and Montsant. The vineyards are planted on the slopes on terraces at altitudes of between 100 m and 700 m above sea level. Priorat is almost entirely surrounded by the DO Montsant, which makes wine in a similar style.
The demarcated zone has a total size of 19,783 hectares (48,880 acres).
Soils
The area is of volcanic origin which confers interesting characteristics to the soil. The basis (called llicorella in Catalán) comprises reddish and black slate with small particles of mica, which reflects the sunlight and conserves heat. The 50 cm thick topsoil is formed of decomposed slate and mica. These characteristics force the roots of the vines to reach the base for water, nutrition and minerals. These soil characteristics confer special quality to the wine and keep the vines firmly anchored to the earth during the strong winds and storms which are common to the area.

Climate
Even though Priorat DOQ covers a small area, there are several different micro-climates present. Generally, the climate is more extreme than most continental climate areas, though there is a marked contrast between the valleys and the higher areas. There are both freezing winds from the north (mitigated somewhat by the Montsant mountain) and also the warm Mistral wind from the east.
Summers are long, hot and dry (max temperature 35°) while winters are cold (min temperature -4°C). There is the occasional risk of frost, hailstones and drought. The average annual temperature is 15°C, and average annual rainfall is 400–600 mm.
Grapes
The traditional grape variety grown in El Priorat is the red Garnacha tinta, which is found in all the older vineyards. Also authorized are the following red varieties: Garnacha Peluda, Cariñena, Cabernet Sauvignon, Merlot and Syrah. Four white varieties are also authorized: Garnacha blanca, Macabeo, Pedro Ximénez and Chenin.
The trend among the red varieties is that Garnacha stays constant, Cariñena decreases and the international grape varieties increase. While Cabernet Sauvignon has always been in the lead among these, in recent years, Syrah has increased faster.
Yields are very low, usually much lower than the authorized maximum yield of 6,000 kg/ha, due to the rocky nature of the soil that does not allow the accumulation of water. The vines are usually planted as low bushes (en vaso) though the newer vineyards tend to be planted on trellises (en espaldera).
As of 2008, Priorat had 1,767 hectares (4,370 acres) of vineyards, of which 1,689 hectares (4,170 acres) or 96% was planted with red varieties, and 78 hectares (190 acres) or 4% with white varieties.[5] The average planting density was 2,850 vines per hectare, compared to the mandated 2,500 to 9,000 vines per hectare.
Wines
The traditional reds from El Priorat are a single grape bottling of Grenache and Carignan or then a blend of these two grapes blended in a "Bordeaux" style with other French varietals such as Cabernet Sauvignon (which is falling out of favor), Merlot, or Syrah among others.
Criança wines must remain in oak barrels for 6 months and then 18 months in the bottle.
Reserva wines must remain in oak barrels for 12 months and then 24 months in the bottle.
Gran Reserva wines remain in oak barrels for 24 months and then 36 months in the bottle.

Few wineries (cellers) follow these guidelines strictly and the usual practice is to produce what is known as vi de guarda (aged wine) that has been in oak barrels for 18 months followed by 6 months in the bottle, the optimal moment for consumption being 2 years later.
Source: Wikipedia

domingo, 23 de junho de 2013

Côtes du Rhone

Na última 5ª feira, dia 20 de junho, realizamos no Rosmarino mais uma grande degustação, desta vez de diversas denominações da região do Rhone: Gigondas, Chateauneuf-du-Pape, Crozes-Hermitage, Côte-Rotie, Cornas e Vacqueyras, com a presença de apenas 6 confrades. Foram degustados 6 vinhos, de safras relativamente recentes (2003, 2004, 2005 e 2009), sendo um de cada denominação. Desta vez, o menu foi escolhido pelo confrade Marcio Guedes, mas sempre com o apoio do nosso confrade Paulo.

Couvert: Pão italiano, mini-ciabata, pão de queijo, patê de roquefort, manteiga e azeitona.

Entrada: Mil folhas de berinjela e queijo feta com verdes

Primeiro prato: Ravioli de batata na manteiga e cebola frita (vareniks)

Segundo Prato: Filé à Wellington (filé alto grelhado bem mal passado, envolvido com patê de foie grãs e coberto com fina massa folhada, acompanhado de bouquet de legumes (mini milho, cenoura e vagens francesas)

Sobremesa: Entremet de chocolate, Torta de nozes carameladas, Merengue de chocolate belga e avelãs, Carolinas de creme, Ovos nevados, Profiteroles, Terrine de Frutas, Tiramisú, Creme brulée, Pastiera di grano, Bavarese de chocolate e Tarte Tatin

A degustação contou com seis vinhos, com níveis alcoólicos variando entre 12,8% e 15%.


A seguir uma breve descrição dos vinhos degustados:

Gigondas 2009
Produtor: M. Chapoutier
País/Região: França/Gigondas
Graduação alcoolica: 14%
Confrade: Paulo

Chateauneuf-du-Pape 2003
Produtor: Louis Bernard
País/Região: França/Chateauneuf-du-Pape
Graduação alcoolica: 14%
Confrade: Ricardo

Le Clos 2009
Produtor: Delas Frères
País/Região: França/Crozes-Hermitage
Graduação alcoolica: 13%
Confrade: João Luis

Côte-Rotie Champin Le Seigneur 2005
Produtor: Jean-Michel Gerin
País/Região: França/Côte-Rotie
Graduação alcoolica: 12,75%
Confrade: Calabró

Cornas Les Barcillants 2009
Produtor: Les Vins de Vienne
País/Região: França/Cornas
Graduação alcoolica: 14%
Confrade: Joubert

Chateau des Tours Reserve 2004
Produtor: Chateau des Tours
País/Região: França/Vacqueyras
Graduação alcoolica: 15%
Confrade: Marcio

Vinhos degustados


Os vinhos degustados eram bastante aromáticos, sendo que um deles apresentou um aroma químico e acabou em uma colocação desfavorável.

Nesta degustação, os resultados do nosso painel apresentaram boas notas com uma pequena amplitude, em linha com as boas degustações do ano, sendo na média aparada de 2,5 pontos (de 87,8 a 90,3).

O vinho que ficou em último lugar foi o Chateau des Tours Reserve 2004, produzido pelo Chateau de Tours, na sub-região de Vacqueyras, no Vale do Rhône Meridional, com 15% de alcool, escolhido o pior vinho por 4 confrades, tendo entretanto agradado um confrade que lhe deu a maior nota.

O segundo melhor vinho do painel, foi o Côte-Rotie Champin Le Seigneur 2005, produzido por Jean-Michel Gerin na região de Côte-Rotie, a mais ao norte do Vale do Rhône Setentrional, com 12,8% de alcool, escolhido o melhor vinho por um dos confrades e o segundo melhor para outros dois.

O Campeão da noite, foi o Gigondas 2009, produzido por M. Chapoutier, na Região de Gigondas, bem no centro do Vale do Rhône Meridional, às margens do rio L’Ouvèze, com 14% de alcool, escolhido o melhor vinho por tres confrades, o segundo melhor por outros dois, não tendo entretanto agradado um confrade que lhe deu a sua pior nota.



Vejam os resultados completos abaixo.


Não se esquecam que no dia 18 de Julho degustaremos vinhos tintos do Priorato. Até lá....

Não percam a próxima degustação.





domingo, 2 de junho de 2013

O Vale do Rhône

O rio Rhône (ou Ródano, na tradução portuguesa) é um dos mais importantes “rios de vinho” do mundo. Desde seu nascedouro, nos Alpes suíços, até o seu delta, no mar Mediterrâneo, esse grande rio bordeja várias regiões vitivinícolas bastante diversas entre si como o Valais suíço, famoso por seu Fendant du Valais, a Savóia francesa, que produz em Seyssel leves vinhos espumantes, e, bem mais ao sul, Châteauneuf-du-Pape, notável por seus tintos potentes e encorpados.
No entanto, quando falamos em Vale do Rhône (Vallée du Rhône) ou Encostas do Rhône (Côtes du Rhône) entamos nos referindo à sua parte francesa mais famosa, que se inicia ao norte , em Vienne, e termina ao sul, nas proximidades de Avignon.
Tudo indica que foram os romanos que introduziram a vitivinicultura na região por volta do século I antes de Cristo. Em sua “História Natural” (ano 71 d.C.) o célebre escritor romano Plínio já faz referência e até mesmo elogia os vinhos produzidos perto de Vienne. Hoje o Vale do Rhône é o segundo mais extenso vinhedo produtor de vinhos finos da França, perdendo apenas para Bordeaux. Região de grandes contrastes, costuma-se dividir o vale em duas regiões que possuem climas, solos, terroirs e castas de uvas diversas: o Vale do Rhône Setentrional e o Vale do Rhône Meridional.


Vale do Rhône Setentrional
Nessa região, onde predominam as uvas Syrah (tinta) e as brancas Viognier, Marsanne e Roussane, se produzem os vinhos mais finos e elegantes do Rhône. Seus vinhos são mais populares entre os connaisseurs do que entre o grande público consumidor, que tem o Châteauneuf-du-Pape – a mais famosa denominação do sul do Rhône – sempre em sua memória como grande ícone. Tal fato se explica pela pequena produção do Rhône setentrional, inferior mesmo à do Châteauneuf-du-Pape, que é apenas uma das denominações de origem do Sul do Rhône.
O clima da região é do tipo Continental, com invernos frios e verões bem quentes. É consideravelmente mais fresco do que o da região meridional, sendo temperado pela constante neblina das manhãs. Os vinhedos são plantados pequenos espaços, nas escarpadas e estreitas encostas de solo granítico.
Denominações de Origem
A região tem oito crus de alta reputação, que são os seguintes vinhos AOC (Appellation d’Origine Controllé) . Vindo do norte para o sul temos:
Côte-Rôtie (200 ha de vinhedos) – Produz vinhos de altíssima qualidade e grande prestígio, sendo 80% tintos, com a uva Syrah, na Côte Brune. Na Côte-Blonde predomina a uva branca Viognier, usada mesclada com a Syrah para emprestar mais equilíbrio aos tintos da região.
Condrieu (90 ha) – A uva branca Viognier necessita de bastante calor e se favorece da boa exposição ao sol dos vinhedos da vertente sul, plantados sobre o solo granítico, de Condrieu. A região só produz vinhos brancos que primam pela suavidade e opulência.
Château-Grillet (3,4 ha) – É uma das menores regiões AOC de todo o território francês. Também produz somente vinhos brancos com a mesma Viognier, passíveis de boa guarda.
Saint-Joseph (700 ha) – Produz tintos com a casta Syrah e brancos com as uvas Roussanne e Marsanne. A qualidade média dos vinhos da região já foi mais alta devido ao aumento da área abrangida pela denominação, como aconteceu também em Crozes-Hermitage. Os melhores produtores continuam produzindo belos vinhos.
Hermitage (130 ha) – Zona de longa tradição histórica. Situada no vilarejo de Tain Hermitage, que abrigava um antigo eremitério (como indica seu nome), onde paravam os eremitas da região para provar de seus vinhos. É a denominação mais conhecida e prestigiada do Norte do Rhône. Vinhos tintos com a uva Syrah (cerca de 85% da produção) e brancos com as uvas Marsanne e Roussane.
Crozes-Hermitage (1020 ha)- Situada ao redor das colinas de Hermitage, em encostas mais suaves, possui vinhedos de Syrah, Marsanne e Roussane. Seus vinhos não atingem o nível de qualidade de seu famoso vizinho, além se serem menos longevos. Após um período de declínio de prestígio , ocorrido após a expansão de sua área, a denominação vem recuperando seu bom nome com o advento de novos bons produtores.
Cornas (75 ha) – Produz bons tintos com a Syrah, que devem ser guardados para arredondar seus potentes taninos e expressar sua qualidade.
Saint-Péray (65 ha) – Aqui só os brancos, tranqüilos ou espumantes, têm vez, e são ambos encorpados e mostram aromas florais. As castas utiliadas são a Roussane e a Marsanne, plantadas em seu solo granítico.
Vale do Rhône Meridional
Na sua parte sul, o Vale do Rhône se alarga e as encostas se mostram mais suaves. Pode-se ver as pequenas colinas se estendendo ao longo do grande rio cobertas de vinhedos, um terreno bem mais acessível do que as escarpas do norte. O clima é mais quente, do tipo Mediterrâneo, e os vinhedos sofrem grande influência do mar. Tempestades e chuvas fortes não são incomuns na região. Vindo do Mediterrâneo, o vento Mistral tem importante papel no caráter do terroir da região.
A variedade de uvas que encontramos aqui é muito maior do que a do norte. São em seu total vinte e três, sendo que, só na denominação Châteauneuf-du-Pape, são autorizadas treze. Se no norte tínhamos apenas a Syrah, no sul, predomina a Grenache, existem também a Cinsault, a Mourvèdre, a própria Syarh e várias outras. As principais uvas brancas são a Viognier, a Marsanne, a Roussanne, a Clairette e a Bourboulenc. Com elas são produzidos tintos, brancos e rosés.
Denominações de Origem
Denominação Regional Côtes-du-Rhône (45 000 ha) – Representa a esmagadora maioria da produção regional, com 80% do total. Suaves e redondos, devem ser bebidos jovens, entre um e três anos. Grande parte desse vinho é produzido em cooperativas.
Denominação Côtes-du-Rhône Villages (5 000 ha) – Seus vinhos são mais potentes e estruturados do que a AOC Côtes-du-Rhône simples, e seus vinhedos têm rendimento menor. Existem dezesseis vilarejos que podem ostentar essa denominação em seus rótulos. A uva predominante é a Grenache.
Châteauneuf-du-Pape (3 200 ha) – No século XIV o papado mudou-se de Roma para Avignon, quando resolveu-se construir um castelo de verão para os novos Papas. Escolheu-se a pequena vila de Calcenier, um pouco ao norte de Avignon, para a empreitada. O primeiro desses papas franceses, o gascão Clemente V (que empresta seu nome ao famoso cru Chãteau Pape Clement, de Bordeaux) chegou à região em 1309 e ordenou que se plantasse um vinhedo naquele estranho solo de pedras roladas. No entanto, foi seu sucessor, João XXII, quem desenvolveu bem o vinhedo.
O Châteauneuf-du-Pape é um ícone do vinho francês, não só por sua história como por sua qualidade. Trata-se de um vinho robusto, de cor escura e muito macio elaborado com até 13 castas, embora, na prática, nunca se utilize todas elas. A Grenache predomina nos tintos. Os brancos, mais raros, são bem encorpados e estruturados, com aromas delicados e grande persistência gustativa.
Gigondas (1 040 ha), Vacqueyras (800 ha) , Lirac (420 ha) e Tavel (100 ha) são as outras principais AOC do Rhône Meridional, além dos tradicionais VDN (Vins Doux Naturels) Muscat de Beaumes-de-Venise (440 ha) e Rasteau (100 ha).

Fonte: Aguinaldo Záckia Albert - Publicado na edição #32/2008 da revista ADEGA.
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