segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A Espanha e seus vinhos


A relação da Espanha com o vinho é antiga. Vem desde a época em que os romanos dominaram a Península Ibérica. Mas bem antes disso já havia videiras na região. De fato, há registros de que elas são lá cultivadas desde aproximadamente os anos 4.000 ou 3.000 a.C.

Durante os séculos e especialmente o período da Idade Média, a cultura do vinho sobreviveu à passagem dos bárbaros e também dos árabes, p

or causa de uma pequena produção para atender aos cristãos. E quando a filoxera atingiu os vinhedos da França em meados do séculos XIX, alguns produtores migraram para a Espanha, levando consigo suas técnicas de vinificação. Mais tarde, a doença chegou à Espanha, mas se espalhou de maneira lenta, devido à distância entre as regiões produtoras.

Desde a década de 1990, porém, a indústria vitivinícola espanhola tem passado por profundas transformações – maiores do que todas as ocorridas nos séculos anteriores – e considerável processo de modernização, que não se limitou apenas ao campo, mas também incluiu toda a regulamentação do setor e hoje o país é berço de alguns dos mais prestigiosos vinhos do mundo.

A Espanha tem atualmente a maior área de vinhedos do mundo e é o terceiro maior produtor, ocupando a maior parte da Península Ibérica. Grande parcela do território espanhol está em um planalto central denominado meseta, situado a altitudes que variam entre 600 e 1000 metros acima do nível do mar e rodeado de cadeias montanhosas. Os tipos de solo variam muito de uma região para outra, assim como os microclimas. Nas áreas litorâneas, percebe-se a influência marítima, com clima mais fresco e úmido; no interior do país, o clima é mais continental, com verões mais frios e invernos rigorosos. E essa pluralidade se reflete nos vários tipos de perfis de vinhos espanhóis.

Uvas típicas

Embora a maior quantidade de vinhedos plantados seja de cepas brancas – dentre as principais, Verdejo, Albariño, Xarel-lo e Viura – não se pode negar que a fama dos vinhos espanhóis está ligada às uvas tintas genuinamente espanholas, como Tempranillo, Garnacha, Monastrell, Cariñena, Graciano, Mencía e Mazuelo. Mas também se produzem muitos rótulos a partir da internacionais Cabernet Sauvignon, Merlot, Sauvignon Blanc e Chardonnay.

Merece destaque a Tempranillo, cepa emblemática do país, cultivada extensamente por todo o norte e centro da Espanha. Com sua casca mais grossa e baixa acidez, quando plantada em áreas de clima moderado, mostra sua melhor faceta. Seu nome vem da palavra “tempro”, que significa “cedo”, provavelmente pelo fato de que a Tempranillo amadurece antes das outras variedades. É a espinha dorsal de muitos rótulos espanhóis.

A legislação espanhola

O setor vitivinícola espanhol é regido por normas claras para a qualificação de seus produtos, as quais são registradas perante à União Europeia.

A principal divisão é entre os vinhos de Denominación de Origen Protegida (DOP) e os de Indicación Geográfica Protegida (IGP). Quaisquer vinhos que não se enquadrem nos critérios DOP ou IGP só podem ser rotulados como “Vino”.

Os vinhos DOP subdividem-se em:

Denominación de Origen (DO): vinhos que devem atender a especificações quanto às variedades de uva permitidas, modo de cultivo e localização dos vinhedos. Assim, apresentam um patamar mínimo de qualidade. Existem mais de 70 DOs e cada uma delas submete-se a seu próprio Conselho Regulador.

Denominación de Origen Calificada (DOCa): categoria mais prestigiosa do que a anterior, apenas DOs que existam há pelo menos 13 anos podem se alistar para se tornarem DOCa. Nos dias de hoje são apenas duas: Rioja e Priorat.

Vinos de Pago (VP): categoria que se aplica a uma propriedade (single estate) de reputação elevada. Para ostentar a denominação VP, a vinícola deve usar apenas uvas de vinhedos próprios, que devem ser vinificadas dentro da propriedade. O envelhecimento das garrafas também deve acontecer no local.

Vinos de Calidad con Indicación Geográfica (VCIG): categoria criada em 2003, é um passo intermediário entre VdlT e DO. As regulações são menos rígidas do que as previstas para DO e DOCa. Após ostentar o status VCIG por cinco anos, uma região pode alistar-se para tentar obter a certificação DO.

Os vinhos IGP, por sua vez, são na verdade tradicionalmente conhecidos pelo termo “Vino de la Tierra” (VdlT). Somente duas regiões com status VdlT têm importância significativa comercialmente: VdlT de Castilla e VdlT de Castilla y León. Os VdlT espanhóis geralmente vêm de áreas que ainda não contam com status VCIG ou DO.

Envelhecimento

Além de tratar das regiões produtoras, a legislação vitivinícola espanhola também normatiza as categorias dos vinhos do país, tomando-se em conta seu envelhecimento. São elas:

Jóven: Vinhos engarrafados e colocados no mercado um ano após a sua safra, podendo ou não ter passado por madeira.

Crianza: Para tintos, o vinho deve ter envelhecido por, pelo menos, 24 meses, sendo que deve passar seis em carvalho. Para brancos e rosados, o período mínimo de envelhecimento é de 18 meses e não há disposições quanto ao uso de madeira.

Reserva: Normalmente os Reserva são vinhos selecionados dentre os melhores lotes das melhores safras. No caso dos tintos, o período mínimo de envelhecimento é de 36 meses, sendo 12 deles em barris e o restante em garrafa. Para brancos e rosados, o vinho deve envelhecer por 18 meses, sendo seis deles em madeira e os demais em garrafa.

Gran Reserva: Vinhos produzidos apenas em safras excepcionais. Os tintos Gran Reserva envelhecem por, no mínimo, 60 meses, sendo 18 deles em madeira e o restante em garrafa. Para brancos e rosados, os períodos são de 48 meses de envelhecimento, sendo seis deles em carvalho.

DOCa Rioja e DO Ribera del Duero obedecem a regras diferenciadas relativas à nomenclatura de seus vinhos com base nos períodos de envelhecimento. De fato, o Consejo Regulador prevê períodos mais longos.
  
Regiões produtoras mais relevantes


Sendo a Espanha o país com maior área de vinhedos do mundo, distribuídos por todo seu território, não é de se espantar que haja muitas áreas produtoras. Na verdade, costuma-se dividir o mapa vitivinícola espanhol em macrorregiões. São elas: La Rioja, Navarra, Aragón, Cataluña, País Basco, Galícia, Castilla y León, Castilla La Mancha, El Levante, Andaluzia, Extremadura, Ilhas Canárias e Ilhas Baleares.

La Rioja

DOCa Rioja é uma das mais importantes macrorregiões e foi a primeira a receber o status DOCa, em 1991. Os vinhedos estão plantados em altitudes que variam entre 500 e 800 metros acima do nível do mar. Os solos são calcário-argilosos, com boa concentração de ferro. Rioja Alavesa fica a oeste da cidade de Logroño, na margem norte do rio Ebro. Os vinhedos estão a 800 m do nível do mar, em solos predominantemente calcário-arenosos e os vinhos lá produzidos são provavelmente os mais sutis e elegantes de Rioja. Os climas em Rioja Alta e Rioja Alavesa são bastante similares. Devido à influência do Atlântico, não ocorrem temperaturas extremas típicas de climas continentais.

Já em Rioja Baja, a leste de Logroño e na margem sul do Ebro, o clima é mais continental, com verões quentes e invernos rigorosos. Os solos são bastante argilosos e chove muito pouco. A principal cepa cultivada é a Garnacha e os vinhos da região costumam ter menor potencial de guarda do que aqueles produzidos em Rioja Alta e Rioja Alavesa. Mais recentemente, tem se plantado mais vinhedos de Graciano, que amadurece bem no verão da Rioja Baja, para ser usada em blends com uvas Tempranillo vindas de Rioja Alta e Rioja Alavesa.

Tradicionalmente, os produtores de Rioja definiam seus vinhos pelo blend e pelo uso da madeira, com estágio em barrica por períodos mais longos do que os estabelecidos nacionalmente. A partir da década de 1970, os vinhos de Rioja passaram a ser produzidos com longos períodos de maceração, seguidos de estágios mais curtos em madeira. Além disso, o anteriormente mais usado carvalho americano tem sido substituído pelo francês sistematicamente. Atualmente, a tendência é produzir varietais e mesmo vinhos feitos com uvas de vinhedo único, pois o foco tem se depositado em mostrar a personalidade da uva e do vinhedo em si, ao invés de técnicas de fazer bons blends. Riojas mais modernos já apresentam traços mais frutados e são mais influenciados pelas barricas de carvalho francês.

Navarra

Navarra, situada entre os Pirineus e o rio Ebro, é normalmente conhecida pelos vinhos rosados produzidos a partir de Garnacha. Entretanto, mais recentemente, tem-se produzido muitos tintos, fazendo com que a Tempranillo assumisse o posto de cepa mais plantada na região. Brancos à base de Chardonnay e Viura também se destacam.

Aragón

Aragón é originalmente uma região de produção de vinhos rústicos e artesanais, a história da região começou a mudar a partir do desenvolvimento das sub-regiões: Somontano, Cariñena e Catalayud. Estas duas últimas são DOs vizinhas, com clima continental e baixos índices pluviométricos. Embora a Garnacha seja ainda a casta mais cultivada, seus Consejos Reguladores têm incentivado o maior uso de Tempranillo, especialmente na produção de vinhos Crianza e Reserva. Curiosamente, a cepa Cariñena é pouco plantada na região de mesmo nome. Somontano, por sua vez, apresenta uma série de microclimas e a quantidade de chuvas é maior. No final dos anos 1980, ganhou status de DO, produzindo tintos, brancos e rosés de bom custo.

Os desenvolvimentos recentes em Rioja, Navarra e Aragón fizeram com que a área ficasse conhecida como “Alto Ebro” e se colocasse na vanguarda da vitivinicultura espanhola.

Cataluña

Situada no norte do país, a Cataluña é a macrorregião com maior número de DOs da Espanha. Entre as mais importantes estão Costers del Segre, Montsant e Penedès, além de acolher a DOCa Priorat, a segunda DOCa reconhecida no país. No final dos anos 1980, um grupo de cinco vitivinicultores pioneiros – Clos Mogador, Clos de l’Obac, Clos Dofi, Clos Martinet e Clos l’Ermita – estabeleceu-se no vilarejo de Gratallops, e cada um deles adquiriu terras e reconstruiu seus vinhedos, passando a produzir tintos de um estilo novo – quase negros, encorpados e concentrados – que agradou em cheio os paladares do mundo, fato que, aliado à pequena produção, fez com que esses vinhos alcançassem alto valor no mercado, atraindo mais investimentos para a região.

De fato, os rótulos do Priorat são alguns dos vinhos de melhor qualidade produzidos a partir de Garnacha e de Cariñena, comparáveis aos melhores dessa variedade. Com solo pouco comum – denominado licorella – e baixo índice pluviométrico, as videiras têm baixa produção, com frutas muito concentradas, característica que se reflete nos vinhos, que costumam apresentar coloração tinta profunda, com taninos muito finos e ótima textura, além de fruta exuberante e suculenta acompanhada por gostosa acidez e muita elegância.


A DO Penedès, maior da Cataluña, também merece atenção especial. Nela se notam três zonas climáticas distintas – Alto Penedès, Bajo Penedès e Penedès Central –, fazendo com que a área produza diversos estilos de vinho. É em Penedès Central que está Sant Sadurní d’Anoia, capital espanhola da produção de Cava, espumante produzido exclusivamente a partir do método tradicional, com pelo menos nove meses de contato com as leveduras e elaborado, via de regra, a partir de Macabeo, Xarel-lo e Parellada (Chardonnay e Pinot Noir são cada vez mais utilizadas desde que foram autorizadas), entre outras rígidas normas ditadas pelo Consejo Regulador. Cava, tecnicamente apesar de ser uma DO, não é uma região geográfica, assim, as municipalidades da Cataluña (responsável por 95% da produção), Valência, Aragón, Navarra, Rioja e País Basco podem ostentar a qualificação DO Cava.


País Basco

O País Basco é a macrorregião que fica na parte mais setentrional da Espanha. A individualidade da região – conhecida por seus manifestos pela independência do restante do país – acaba por se manifestar também no vinho produzido no local. O chamado Txakolí tem características únicas, muito distintas do que se conhece como vinho espanhol. Normalmente é consumido como aperitivo ou acompanhando frutos do mar. Por exemplo, o Txakolí apresenta gás residual, semelhante ao do Vinho Verde português. As fagulhas são conhecidas como tximparta. As uvas usadas na sua produção são próprias da região, especialmente a branca Hondarribi zurri e a tinta Honsabirri beltza. As DOs mais importantes são Txakolí de Guetaria e Txakolí de Viscaya.

Galícia

A Galícia – região de condições geográficas ímpares, por estar próxima ao oceano Atlântico e ao mar Cantábrico e cercada pela cordilheira Cantábrica e, assim, receber maior umidade e isolamento –, é dividida em cinco DOs: Monterrei, Ribeira Sacra, Ribeiro, Valdeorras e principalmente Rías Baixas, onde brancos jovens, frutados e bastante aromáticos têm sido produzidos a partir, principalmente, de Albariño.

Castilla y León

A macrorregião de Castilla y León situa-se no centro-norte da Espanha. Por ela, passa o rio Duero – o mesmo que em Portugal recebe o nome de Douro. É uma área bastante relevante no país, tanto historicamente quanto para a indústria do vinho. Isso porque, dentre suas sub-regiões, estão as DOs Ribera del Duero, Rueda, Toro e Bierzo.


Ribera del Duero

A DO Ribera del Duero é provavelmente a mais importante das denominações espanholas. É protegida de qualquer influência marítima por uma cadeia de montanhas. O solo é calcário-arenoso. Está localizada na parte mais alta da meseta, com alguns vinhedos a 850 metros de altitude, o que garante noites frias durante o ano todo, mesmo no verão, quando a amplitude térmica pode chegar aos 20ºC. Quem muito se beneficia dessas diferenças de temperatura é a Tempranillo, vedete local, presente em blends e personagem única da maioria dos melhores tintos da região. A Garnacha, por sua vez, é usada principalmente nos rosés.

Até o início dos anos 1980, o potencial da região era pouco explorado e a área era mais conhecida por seu produtor mais ilustre, Vega Sicília. A partir de novos investimentos e do trabalho de enólogos jovens, viu-se um salto na quantidade e qualidade dos tintos lá produzidos.

Um detalhe importante é que o status DO Ribera del Duero só vale para tintos e rosados. Outro é que as castas Cabernet Sauvignon, Malbec e Merlot são permitidas na DO por influência do Vega Sicília, que tem vinhedos antigos dessas cepas. O clone de Tempranillo cultivado em Ribera del Duero é conhecido no local como Tinto Fino e tem as cascas mais grossas, resultando em vinhos mais tintos e com taninos mais adstringentes do que os vistos em vinhos do Rioja, por exemplo.

Toro

Também em Castilla y León, a 700 metros do nível do mar, está a DO Toro, que passa atualmente pelas mesmas mudanças que se viu tempos atrás na vizinha Ribera del Duero. Os climas das DOs são similares, assim como o clone de Tempranillo cultivado nas duas áreas – em Toro, leva o nome de Tinta de Toro. Em Toro, a DO vale para tintos, rosados e brancos, ainda que esses dois últimos sejam produzidos em pequena quantidade. Os tintos são potentes e apresentam maior teor alcoólico devido aos longos períodos de insolação e ao fato de que as uvas são tradicionalmente colhidas bem maduras.

Rueda

Entre Toro e Ribera del Duero está a DO Rueda. O que a difere das vizinhas é o fato de que seu foco principal está na produção de brancos. Historicamente, em Rueda se produzia vinhos no estilo de Jerez. Com a modernização, apoiados no clima continental e no solo calcário do local, iniciou-se a produção de brancos mais leves e frutados. A mais tradicional casta de Rueda é a Verdejo, que dá vinhos elegantes, aromáticos e de boa acidez. A Sauvignon Blanc também é importante na região. Tanto Verdejo quanto Sauvignon Blanc podem ser vinificadas e engarrafadas como varietais, entretanto, os blends da DO devem sempre conter 50% de Verdejo.

Bierzo

Na DO Bierzo, já na fronteira com a Galícia, produzem-se predominantemente vinhos tintos. O clima é mais quente que o da Galícia, embora a região ainda se beneficie da frescas brisas marítimas. A principal cepa é a Mencía, que se acreditava ser capaz de dar apenas vinhos mais diluídos. Entretanto, assim como aconteceu no Priorat, um grupo de jovens produtores, aproveitando vinhas velhas existentes no local e utilizando melhores técnicas de cultivo e vinificação, têm produzido rótulos mais concentrados, com boa fruta e intensidade aromática, balanceadas com boa acidez natural.

Castilla La Mancha

Da região mais central do país, onde o clima é continental ao extremo, sem qualquer influência marítima, com baixo índice pluviométrico, verões com temperaturas próximas a 40oC e invernos em que os termômetros chegam normalmente abaixo de 0oC, vem quase 50% do total de litros de vinho produzidos anualmente na Espanha. Trata-se de Castilla La Mancha. Nessa macrorregião estão as DOs La Mancha e Valdepeñas, entre outras.

La Mancha

La Mancha é a maior DO do país e a maior área vitivinícola contínua do mundo, abrangendo 182 municípios, divididos em quatro províncias: Albacete, Ciudad Real, Cuenca e Toledo. Devido às condições extremas do clima, a valente branca Airén se adaptou bem ao local, tornando La Mancha “a casa da Airén”. No entanto, essa cepa não é das mais ambiciosas. Normalmente, parte do vinho obtido a partir dela acaba por ser destilado para a produção de brandy de Jerez. Assim, é natural que, nos últimos anos, seguindo a orientação do Consejo Regulador, as áreas de Airén estão sendo substituídas por vinhedos de Tempranillo – que, em La Mancha, leva o nome de Cencibel –, além de Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e até mesmo Chardonnay e Sauvignon Blanc. Desde que o mercado internacional reconheceu o potencial da DO, novas técnicas de vinificação foram implementadas. As vinícolas se modernizaram e focaram em produzir vinhos para agradar o consumidor. Com isso, por exemplo, as uvas brancas passaram a ser colhidas mais jovens, fator determinante para a obtenção de vinhos com acidez mais fresca e menor teor alcoólico. A utilização de tanques de aço inoxidável – com controle de temperatura, inclusive – é onipresente. Os tintos produzidos na região têm se mostrado predominantemente frutados, encorpados, frescos e aromáticos.

Valdepeñas

A DO Valdepeñas fica imediatamente ao sul de La Mancha. Compartilha do clima de sua vizinha, mas tem construído sua boa reputação graças à produção de vinhos de qualidade superior, geralmente varietais de Tempranillo ou blends desta com cepas internacionais.

El Levante

A macrorregião de El Levante situa-se ao sul da Cataluña, já na costa do Mediterrâneo. As principais DOs locais são Valência, Jumilla e Yecla. A DO Valência, antigamente exportadora de vinhos simples, recebeu investimentos significativos nos últimos anos, tanto em seus vinhedos quanto em suas vinícolas. Com isso, atualmente ostenta a imagem de região produtora de tintos e brancos descomplicados, de boa relação qualidade-preço. Novamente, o Consejo Regulador tem estimulado a replantação de Tempranillo. A variedade branca mais cultivada é Merseguera, ainda que haja muitos vinhedos de Muscat de Alexandria, a partir da qual se produz o Moscatel de Valência, fortificado branco bastante perfumado.

Um pouco mais para o interior estão a DO Jumilla e a DO Yecla, regiões que, a exemplo de Valência, também têm passado por grandes mudanças. A principal cepa cultivada é a Monastrell, com a qual se produz vinhos encorpados e frutados.

Extremadura

Em Extremadura, o clima semiárido não é exatamente o ideal para o cultivo de videiras. Ainda assim, surpreendentemente a área é a quarta região produtora mais importante da Espanha. A maior parte do vinho feito em Extremadura é vendida à granel para ser destilada e acaba sendo base para a produção de brandy de Jerez.

Ilhas Baleares
As Ilhas Baleares constituem uma antiga região produtora, embora apenas em Mallorca existam vinhedos. Como curiosidade, a primeira DO espanhola fora do continente é a DO Binissalem.

Ilhas Canárias

A produção vinícola das Ilhas Canárias varia entre vinhos de excelente qualidade, feitos em pequena quantidade a partir de cepas locais por pequenos produtores, e vinhos feitos em grandes vinícolas com vistas ao mercado externo.

Andaluzia

Assim como Portugal, que produz o Vinho do Porto, a Espanha também tem seus fortificados, vindos principalmente da macrorregião de Andaluzia, no sudoeste do país. Naquela área, o clima é mediterrâneo – com invernos amenos e verões quentes – e o solo do tipo “albariza”, caracterizado pela cor branca e a composição calcária, com elementos orgânicos de origem marítima. O mais conhecido deles certamente é o Jerez, feito na DO Jerez, embora a DO Montilla-Moriles – com seu Montilla, bem semelhante ao Jerez – e a DO Málaga – já em declínio – também produzam fortificados próprios.

O Jerez é um vinho fortificado, feito a partir de uvas Palomino, Pedro Ximenez e, em menor escala, Moscatel. Caracteriza-se por seu método de produção: a adição do álcool vínico não ocorre durante a fermentação, mas sim após a conclusão da fermentação. Assim, o resultado da fortificação não é necessariamente um vinho com alto teor de açúcar. De fato, os tipos de Jerez são: Fino, Amontillado, Oloroso, Palo Cortado, La Manzanilla, Cream, Moscatel e Pedro Ximenez, sendo este último um produto doce, extremamente aromático e saboroso.



Fonte: Revista Adega - http://revistaadega.uol.com.br  por Eduardo Milan - Março de 2016


domingo, 20 de agosto de 2017

Tintos do Pomerol

Na última 5ª feira, dia 17 de agosto, realizamos no La Casserole uma excepcional degustação, desta vez de vinhos tintos produzidos na região de Bordeaux, na sub-região de Libournais e na  Appellation d'origine contrôlée Pomerol, este vinhos são produzidos principalmente com as uvas Merlot e Cabernet Franc, sendo que alguns deles apresentam uma pequena participação de Cabernet Sauvignon. Tivemos a presença de 7 confrades e de um convidado. Foram degustados 8 vinhos, de safras não muito antigas (2006, 2007, 2009 e 2010), O nosso confrade Joubert foi responsável pelo excelente menu da noite.

Entrada: Tourte forestière, champignons e foie gras

Prato Principal:    

Parmentier de coq au vin
ou
Magret de pato, molho poiver e rosti de batata
ou
Filé mignon, crosta de ervas e “risoto” de fregola sarda

Sobremesa: Pêssego Melba, acompanhado pelo excepcional domaine de l’Herre – Gros Manseng, oferecido pelo nosso confrade Joubert

O serviço foi excelente e a execução do cardapio excepcional.

A degustação contou com oito vinhos com níveis de alcool variando entre 13% e 15%.

A seguir uma breve descrição dos vinhos degustados:

Chateau Haut-Surget 2006
Produtor: Haut Surget
País/Região: França/Lalande Pomerol
Graduação alcoolica: 13%
Uvas: 70% Merlot, 15% Cabernet Sauvignon, 15% Cabernet Franc
Confrade: Walter

Chateau Le Bon Pasteur 2006
Produtor: Domaines Rolland
País/Região: França/Pomerol
Graduação alcoolica: 13.5%
Uvas: 80% Merlot e 20% Cabernet Franc
Confrade: João Luiz

Chateau La Commanderie de Mazeyres 2006
Produtor: Clement Fayat
País/Região: França/Pomerol
Graduação alcoolica: 14%
Uvas: 55% Merlot e 45% Cabernet Franc
Confrade: Otavio

Chateau Franc-Maillet Cuvee Jean Baptiste 2006
Produtor: G. Arpin
País/Região: França/Pomerol
Graduação alcoolica: 13.5%
Uvas: 90% Merlot e 10% Cabernet Franc
Confrade: Alessandro

Providence 2009
Produtor: Jean-Pierre Moueix
País/Região: França/Pomerol
Graduação alcoolica: 14.5%
Uvas: 90% Merlot e 10% Cabernet Franc
Confrade: Joubert

Chateau Certan de May 2007
Produtor: Chanteau Certan de May
País/Região: França/Pomerol
Graduação alcoolica: 13.5%
Uvas: 70% Merlot , 25% Cabernet Franc  e 5% Cabernet Sauvignon
Confrade: Marcio

Clos des Litanies 2010
Produtor: Familie Joseph Janoueix
País/Região: França/Pomerol
Graduação alcoolica: 15%
Uvas: 100% Merlot
Confrade: Calabro

La Fleur de Bouard 2009
Produtor: Ch La Fleur St -Georges
País/Região: França/Lalande Pomerol
Graduação alcoolica: 14%
Uvas: 85% Merlot, 10% Cabernet Franc e 5% Cabernet Sauvignon
Confrade: Altman

Vinhos degustados

Os vinhos apresentaram cor rubi escura, quase sem halo de evolução, sendo que um deles apresentou um rubi ainda violáceo. Os aromas  de frutas vermelhas maduras, incluiam cereja, groselha, mirtilo, morango, alem de especiarias, fumo e tabaco. Os taninos se mostraram encorpados e aveludados e bastante equilibrados, com sabores herbáceos e terrosos.

Nesta degustação, os resultados do nosso painel apresentaram, uma pequena amplitude de notas, sendo na média aparada de 2,5 pontos (de 89 a 91,5).

O vinho que ficou em último lugar foi o Chateau Le Bon Pasteur 2006, produzido no Domaine Rolland, a partir das uvas Merlot (80%) e Cabernet Franc (20%), com 13,5% de alcool, foi escolhido o pior vinho por cinco confrades.

O segundo melhor vinho do painel, foi o La Fleur de Bouard 2009, produzido pelo Chateaux La Fleur St -Georges, na região de Lalande Pomerol, a partir das uvas Merlot (85%), Cabernet Franc (10%) e Cabernet Sauvignon (5%), com 14% de alcool, foi escolhido o melhor vinho por um confrades e o segundo melhor por outros dois.

O Campeão da noite, foi o Providence 2009, produzido pela familia Moueix, a partir das uvas Merlot (90%) e Cabernet Franc (10%), com 14.5% de alcool. Este vinho foi esolhido o melhor vinho por seis confrades e o segundo melhor por outro.
  
Vejam os resultados completos abaixo.


Não se esquecam que no dia 21/Setembro degustaremos vinhos tintos espanhois da safra 2005.. Até lá....

Não percam a próxima degustação.


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Pomerol

Pomerol is a French wine-growing commune and Appellation d'origine contrôlée (AOC) within the Libournais ("Right Bank") in Bordeaux. The wine produced here, predominately from Merlot with Cabernet Franc playing a supporting role, is also known as Pomerol. Unlike most other Bordeaux communes, there is no real village of Pomerol, although there is a church. The houses are set among the vineyards.

The region was recognized as a distinct wine region apart from Saint-Émilion and the greater Libournais region by the French government in 1923 and was granted AOC status in 1936 as part of the first wave of AOC establishments by the Institut national de l'origine et de la qualité (INAO). While it is now one of the most prestigious of the Bordeaux AOCs, this situation is relatively recent, dating to the second half of the twentieth century, which is often given as one of the reasons why Pomerol is not included in any of the Bordeaux classifications.
Pomerol is the smallest of the major fine wine regions in Bordeaux, covering an area that is roughly three kilometers wide by 4 kilometers long. It is roughly one-seventh of the size of its much larger Right Bank neighbor Saint-Émilion AOC and is on par with the smallest Left Bank commune of Saint-Julien AOC in the Médoc. In 1998, there were 784 hectares of grape vines planted within the AOC boundaries producing 36,066 hectoliters (400,733 cases) of wine. In 2003 there were 150 declared producers in Pomerol harvesting 780 ha and producing a year average of 32,250 hl (around 358,333 cases) of wine. Almost all the wine is estate-bottled. Unlike other French wine regions, such as Burgundy and the Rhône Valley, there are no co-operatives currently operating in Pomerol. By 2007, the number of planted hectares had risen slightly to 800 ha (1980 acres).

While many Pomerol wines now fetch very high prices at wine auctions and in the private market on a par with the most highly rated classified growths of Bordeaux, there is no official classification of Pomerol wine. However, the region does contains one property widely held to be equivalent to premier cru: Château Pétrus.

Wine

Pomerol now produces exclusively red wine, although 100 years ago it produced a great volume of white wine. Merlot is the most important grape here, accounting for 80% of the vineyard area. Although it is almost invariably blended, the proportion of Merlot can reach as high as 95%, though it is more usually in the range 70-80%. The next most important grape is Cabernet Franc, locally known as le Bouchet, accounting for around 15% of the vineyard area and usually accounting for 5 to 20% of the blend. Malbec, known locally as Pressac, and not much planted in the rest of Bordeaux, is also used. The remaining permitted grapes, Cabernet Sauvignon and Petit Verdot, are barely planted and rarely used in the grand vin though, like Malbec, they may appear in an estate's second wine.

In the early 20th century, as Pomerol's transition to a red wine producing district was completed, Cabernet Franc was the dominant grape variety. However, an early spring frost in 1956 killed a large portion of the Cabernet Franc plantings and many estates took this event as an opportunity to replant with the higher yielding and earlier ripening Merlot. Despite Merlot's tendency to suffer from coulure if the weather is cold and rainy during flowering, the grape quickly rose to prominence in Pomerol and has become the grape most closely associated with the region. Nevertheless, very few Pomerols are pure Merlot and Cabernet Franc is still valued for the tannic structure and acidity it gives, which can add longevity and aging potential to the wines. In fact, as the trend of the late 20th and early 21st century towards harvesting Merlot later and at increasingly higher sugar levels has continued, the role of Cabernet Franc in balancing the opulent but potentially flabby nature of over ripe Merlot has become even more appreciated by Pomerol winemakers.

In general, Merlot tends to be planted on predominantly clay soils while Cabernet Franc is more likely to be on limestone outcroppings and Cabernet Sauvignon and Malbec planted in the more gravelly soils.

Among the few estates with plantings of Cabernet Sauvignon are Vieux Château Certan, Château Beauregard, Château Certan de May, Château Gazin, Château Nenin and Château Petit-Village. Château La Conseillante is among the estates with plantings of Malbec.

AOC regulations

Pomerol is exclusively a red wine with the only permitted grape varieties for AOC wine being Merlot, Cabernet Franc (Bouchet), Cabernet Sauvignon and Malbec (Pressac). Harvest yields are restricted to a maximum of 42 hectoliters/hectare (≈ 2.2 tons/acre) with the finished wine needing to attain a minimum alcohol level of at least 10.5%.

Wine from Pomerol may be labelled as Bordeaux or Bordeaux Supérier (declassified): this would typically happen if the producer felt that the wine was not of a sufficiently high standard to merit the Pomerol label.

Styles and aging

The style of the wine varies with the terroir. In the west, where the soil is more sandy, the wines are lighter; in the south, where the soil is more gravelly, the proportion of Merlot is lower, and the wines tend more towards the flavors of the Médoc.

The wine has been described as 'velvety' or 'unctuous'. The characteristic fruit flavor is plum, sometimes tending towards prune. According to wine expert Oz Clarke, Pomerols can have, in addition to the characteristic plum notes, honeyed spice, truffles, peppermint, chocolate, roasted nuts and raisin notes with a creamy, sometimes buttery mouthfeel and supple tannins.

Master of Wine Clive Coates describes Pomerols as a "halfway house" between the soft, plump, flesh fruit of a Saint-Émilion and the austerity and backbone associated with the wines of the Médoc. Coates notes that Pomerols tend to have less "fruitcakey" flavors than Saint-Émilion with more rich, velvety and plum notes compared to the dominant "black currant" notes in most Médocs. This concentrated rich fruit stems from the nature of Merlot which also allows the wines of Pomerol to be less overtly tannic than the Cabernet Sauvignon-based wines of the Médoc.[1]

According to wine expert and Master of Wine Hugh Johnson, Pomerol requires less aging than most Bordeaux: 5 years is usually sufficient, and 12 years is enough even for the grandest vintages. Johnson notes that Pomerols are usually distinguished by their deep color and sometimes creamy, concentrated ripe-plum flavors but without the high acidity and tannins that are typical of other Bordeaux wines.

Source: Wikipedia

Map: feinwein.wordpress.com

terça-feira, 25 de julho de 2017

Gattinara

Na última 5ª feira, dia 20 de julho, realizamos no Rosmarino mais uma excelente degustação, desta vez de Gattinaras, produzidos no Piemonte, a partir das seguintes uvas: 90% de Spanna (nome local da Nebbiolo) e o restante com as uvas Bonarda di Gattinara e Vespolina, com a presença de 5 confrades. Foram degustados apenas 5 vinhos, de safras relativamente recentes (2006, 2008 e 2010), O nosso confrade João Luiz foi responsável pelo excelente menu da noite.

Couvert: Pão italiano, mini-ciabata, pão de queijo, patê de roquefort, manteiga e azeitona.

Entrada: Creme de palmito

Primeiro Prato: Ravioli de pato ao creme e funghi

Segundo Prato: Boeuf Bourguignon

Sobremesa: Entremet de chocolate, Torta de nozes carameladas, Merengue de chocolate belga e avelãs, Carolinas de creme, Ovos nevados, Profiteroles, Terrine de Frutas, Tiramisú, Creme brulée, Pastiera di grano, Bavarese de chocolate e Tarte Tatin

Como de costume o serviço foi excelente e a execução do cardapio excepcional.

A degustação contou com cinco vinhos com níveis de alcool variando entre 13% e 14%.


A seguir uma breve descrição dos vinhos degustados:

Travaglini Riserva 2006
Produtor: Giancarlo Travaglini
País/Região: Italia/Gattinara
Graduação alcoolica: 13.5%
Uvas: Nebbiolo
Confrade: Joubert

Antoniolo 2008
Produtor: Azienda Agr. Antoniolo
País/Região: Italia/Gattinara
Graduação alcoolica: 14%
Uvas: Nebbiolo
Confrade: João Luiz

Travaglini Riserva 2008
Produtor: Giancarlo Travaglini
País/Região: Italia/Gattinara
Graduação alcoolica: 13.5%
Uvas: Nebbiolo
Confrade: Calabro

San Francesco Antoniolo 2010
Produtor: Azienda Agr. Antoniolo
País/Região: Italia/Gattinara
Graduação alcoolica: 14%
Uvas: Nebbiolo
Confrade: Marcio

Petterino 2006
Produtor: Marco Petterino
País/Região: Italia/Gattinara
Graduação alcoolica: 13%
Uvas: Nebbiolo
Confrade: Paulo

Vinhos degustados


Os vinhos apresentaram cor rubi, sendo que alguns já tinham um leve halo de evolução. Os aromas  de frutas vermelhas escuras, incluiam cereja e framboesa negra, alem de tostado, fumo e couro. Os taninos se mostraram bastante equilibrados e os vinhos persistentes.

Nesta degustação, os resultados do nosso painel apresentaram, uma pequena amplitude de notas, sendo na média aparada de 1,1 pontos (de 89,9 a 91,0).

O vinho que ficou em último lugar foi o Petterino 2006, produzido por Marco Petterino, na região de Gattinara, com 13% de alcool, escolhido o pior vinho por tres confrades e o segundo melhor por outros dois.

O segundo melhor vinho do painel, foi o Travaglini Riserva 2006, produzido por Giancarlo Travaglini, na região de Gattinara, com 13.5% de alcool, escolhido o melhor vinho por um confrade, o segundo melhor por outro tres e o pior por um outros dois confrades.

O Campeão da noite, foi o San Francesco Antoniolo 2010, produzido pela Azienda Agricola Antoniolo, na região de Gattinara, com graduação alcoolica de 14%. Este vinho foi escolhido o melhor vinho por quatro confrades e o segundo melhor por outro.


Vejam os resultados completos abaixo.


Não se esquecam que no dia 17/Agosto degustaremos vinhos do Pomerol. Até lá....

Não percam a próxima degustação.