segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Riesling


Riesling é uma casta de uva branca que se originou na região do Reno na Alemanha. É uma variedade aromática exibindo aromas florais, quase perfumado, com acidez elevada. É usada para fazer vinhos brancos secos, semi-doces, doces e espumantes. Os vinhos Riesling são geralmente varietais e raramente passam por carvalho. Em 2004, a Riesling foi estimada como a 20ª variedade mais cultivada no mundo, com 48.700 hectares, e tendência de crescimento, mas em termos de importância para os vinhos brancos de qualidade, é geralmente incluída entre as tres mais importantes, juntamente com Chardonnay e Sauvignon Blanc. A Riesling é uma variedade que é altamente influênciada pelo terroir, significando que o carácter dos vinhos Riesling é claramente influenciado pelo lugar do vinho de origem.

Em 2006, a Riesling foi a variedade mais cultivada na Alemanha, com 20,8% e 21.197 hectares, e na região francesa da Alsácia, com 21,9% e 3.350 hectares. Há também significativas plantações de Riesling, na Áustria, Luxemburgo, norte da Itália, Austrália, Nova Zelândia, Finger Lakes, EUA, Canadá, África do Sul, China e Ucrânia. Nos países onde é cultivada, a Riesling é mais comumente cultivadas em regiões e localidades mais frias.

Fonte: Wikipedia

domingo, 21 de novembro de 2010

Chateauneuf du Pape

Na última 5ª feira, dia 18, estivemos no Rosmarino, para uma de nossas últimas degustações de 2010. Uma excelente oportunidade em que degustamos seis grandes exemplares de Chateuneuf du Pape. O menu, novamente escolhido pelo nosso confrade Paulo Sampaio estava excelente, como de costume.

A harmonização dos vinhos com o menu escolhido foi primorosa..

Couvert: Pães especiais da casa, chèvre al huille e relish de pepino.

Entrada: Crepes de queijo e nozes.

Prato principal: Coq au vin, feito com galinha caipira, cogumelos, cebolinhas e bacon com arroz branco.

Sobremesas
As já tradicionas Pastiera de Grano, Tiramisù, Bavarese de Chocolate, Tarte Tatin de Pera, Creme Brulée e Torta de Maçã.

O ambiente e a comida estavam excelentes, como de costume.

Devido à falta de diversos confrades, a degustação contou com apenas seis vinhos, sendo que dois deles eram do mesmo produtor, porem de safras diferentes, com níveis alcoólicos variando entre 14 e 15% 
 

A seguir uma breve descrição dos vinhos degustados:

Clos de L'Oratoire des Papes 2005      
Produtor: Ogier Cave des Papes 
País/Região: França/Chateauneuf du Pape      
Graduação alcoolica: 14.5%        
         
Les Petits Pieds d'Armand 2003
Produtor: Domaine des Relagnes 
País/Região: França/Chateauneuf du Pape      
Graduação alcoolica: 14% 
         
Domaine de Marcoux 2006       
Produtor: Domaine de Marcoux   
País/Região: França/Chateauneuf du Pape      
Graduação alcoolica: 15% 
         
Les Bartavelles 2006       
Produtor: Jean Luc Colombo      
País/Região: França/Chateauneuf du Pape      
Graduação alcoolica: 14% 
         
Les Cailloux 2004  
Produtor:  Lucien et andre Brunel
País/Região: França/Chateauneuf du Pape      
Graduação alcoolica: 14% 
         
Clos de L'Oratoire des Papes 2006      
Produtor: Ogier Cave des Papes 
País/Região: França/Chateauneuf du Pape      
Graduação alcoolica: 14.5%

Vale a pena prestar atenção nas diferentes composições dos vinhos degustados

Vinhos degustados


Os Chateauneuf du Pape são vinhos excelentes e devem ser bebidos jovens. Os vinhos degustados eram bem alcoólicos, entretanto muito agradáveis de ser bebidos. São vinhos macios e frutados, com excelente sabor. No nariz, pudemos perceber aromas de ameixas maduras, cereja e framboesa, alem de, em alguns casos, aromas intensos de violetas e especiarias. Para alguns dos confrades, o 2003 já apresentava alguma oxidação.

O painel apresentou resultados bastante diversos, sendo que o vinho que ficou em último lugar, o Les Bartavelles 2006, foi escolhido o segundo melhor vinho por um dos confrades e o pior para outros 3. O segundo melhor vinho da noite, o Les Cailloux 2004, foi considerado o melhor por dois confrades, o segundo melhor por um terceiro e o pior vinho por um outro, ficando somente 0,3 pontos atrás do primeiro colocado.

O Campeão da noite, foi o Domaine de Marcoux 2006, importado pela Cellar, que ficou em primeiro lugar apesar de não ter sido considerado o melhor vinho por ninguem, arrebatando entretanto 4 segundos lugares.
Vejam os resultados completos abaixo.
No nosso próximo encontro, no dia 16 de Dezembro, quando degustaremos Riesling ao redor do mundo. Até lá....

sábado, 13 de novembro de 2010

Châteauneuf-du-Pape - Castas utilizadas

O Châteauneuf-du-Pape é tradicionalmente citado como permitindo treze variedades de uvas a serem utilizadas, mas a versão 2009 das regras da AOC, listam na realidade dezoito variedades, já que as versões blanc (branco), rose (rosa) e Noir (preto) de algumas uvas são explicitamente mencionadas como variedades distintas. Já na versão anterior das regras da denominação, Grenache e Picpoul foram associadas com diferentes normas de poda em suas versões noir e blanc, elevando o número de variedades mencionado anteriormente, de treze para quinze.

As variedades tintas permitidas são Cinsaut, Counoise, Grenache Noir, Mourvèdre, Muscardin, Piquepoul Noir, Syrah, Terret Noir e Vaccarese (Brun Argenté). As variedades brancas e rosa são Bourboulenc, Clairette Blanche,
Clairette Rose, Grenache Blanc, Grenache Gris, Picardan, Blanc Piquepoul, Gris Piquepoul e Roussanne. (As variedades não expressamente mencionadas antes de 2009 são Clairette Rose, Grenache e Piquepoul Gris Gris).

Tanto as variedades tintas e brancas são permitidas em Châteauneuf-du-Pape tinto e brancos. Não há restrições quanto à proporção de variedades de uvas a ser utilizada, e ao contrário de muitas outras denominações, as castas permitidas não são diferenciadas em variedades principais e acessórias. Desta forma, é teoricamente possível produzir um Châteauneuf-du-Pape varietal de qualquer uma das dezoito variedades permitidas. Na realidade, a maioria dos Châteauneuf-du-Pape, são blends dominados por Grenache.

Com 72% do total da superfície vitícola, em 2004, a Grenache Noir é muito dominante, seguida pela Syrah com 10,5% e pela Mourvèdre com 7%, sendo que ambas têm se expandido nas últimas décadas. Cinsaut, Clairette, Grenache Blanc, Roussanne e Bourboulenc cobrem aproximadamente de 1 a 2,5%, e as sete variedades restantes, contam com aproximadamente 0,5% ou menos.

É comum o cultivo da vinha como gobelets (bushvine), e este é o único sistema de formação permitido para as quatro primeiras variedades tintas. A produção está restrita a duas toneladas por acre.

Os vinhos tintos

Na maioria dos Châteauneuf-du-Pape tintos, Grenache noir é a variedade mais comum, embora alguns produtores utilizem uma maior proporção de Mourvèdre. A Grenache produz um suco doce que pode ter quase a consistência de uma geléia quando muito madura. A Syrah é tipicamente misturado para dar cor e especiarias, enquanto a Mourvèdre pode adicionar a elegância e estrutura ao vinho. Algumas propriedades produzem varietais (100%), Grenache noir, enquanto alguns poucos produtores insistem em usar, pelo menos, um montante simbólico de todas as treze variedades permitidas em seu blend. A única propriedade que produz todas as treze variedades e a utiliza com consistência no seu blend, é o Château de Beaucastel.

Os Châteauneuf-du-Pape tintos são geralmente descritos como terrosos, com sabores de caça e indicios de alcatrão e couro. Os vinhos são considerados duros e tânicos, em sua juventude, mas mantêm sua rica caracteristica picante, quando envelhecem. Os vinhos apresentam frequentemente aromas de ervas secas comuns na Provence sob o nome de garrigue. Os Châteauneuf-du-Pape dominados por Mourvèdre tendem a ser mais tânicos, exigindo um período maior de guarda antes de serem consumidos.

Os vinhos brancos

Os Châteauneuf-du-Pape brancos são produzidos com a exclusão das variedades tintas e usando apenas as seis variedades brancas permitidas. As castas brancas contam com 7 por cento do total da area plantada, de acordo com estatísticas de 2004, e um parte delas é utilizada no blend dos vinhos tintos, o que significa uma produção de vinho branco de apenas cerca de 5 por cento do total.

Nos Châteauneuf-du-Pape brancos, a Grenache Blanc e Roussanne fornecem frutado e “fatness” ao blend, enquanto Bourboulenc, Clairette e Picpoul adicionam notas de acidez, floral e mineral. O estilo dos vinhos varia de “lean” e minerais a oleosa e rica com uma variedade de aromas e notas de sabor - incluindo amêndoa, “star fruit”, anis, funcho, madressilva e pêssego. Um varietal de Roussanne, amadurecido em barris de carvalho de envelhecimento, é feito por alguns produtores. A maioria dos brancos são feitos para ser bebido jovem. Alguns brancos Châteauneuf-du-Pape, são destinadas a guarda e tendem a desenvolver aromas exóticos e de cascas de laranja após 7-8 anos. Os vinhos rosés não são permitidos dentro da denominação.

Fonte: Wikipedia

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Châteauneuf-du-Pape

 


















Châteauneuf-du-Pape é uma AOC para vinhos produzidos próximo à vila de Châteauneuf-du-Pape, na região vinícola do Rhône, no sudeste da França. Esta é a denominação mais famosa do sul do vale do Rhône. Os vinhedos estão localizados em torno de Châteauneuf-du-Pape e nas aldeias vizinhas de Bédarrides, Courthézon e Sorgues, entre Avignon e Orange, e cobre pouco mais de 3.200 hectares ou 7.900 acres (32 km2). Mais de 110 mil hectolitros de vinho são produzidas aqui por ano. Mais o vinho é produzido nesta área no sul do Rhône, do que na totalidade do região norte do Rhône.

Clima e Geografia

A denominação se estende desde a margem leste do rio Rhône, perto de Orange, no noroeste, até Sorgues perto de Avignon, no sudeste. A altitude alcança 120 metros em seu ponto mais alto, na parte norte da denominação. Abrange 3.200 hectares de terra com pelo menos três diferentes tipos de solo ou terroirs. No norte e nordeste as famosas “galets roulés”, pedras redondas ou seixos que cobrem o solo argiloso. A rochas são famosas por manter o calor do sol abundante, 2800 horas por ano, liberando-o à noite, favorecendo o amadurecimento das uvas mais rápido do que na parte oriental da denominação, onde o solo é composto principalmente por areia, bem como no sul, onde o solo é mais arenoso. O poderoso vento mistral carrega a umidade para longe, intensificando o clima seco.

Terroir

O terroir característico de Châteauneuf-du-Pape vem de uma camada de pedras chamado galets. As rochas são geralmente quartzito e remanescentes das geleiras alpinas que foram suavizadas ao longo de milênios pelo Rio Rhône. A pedra mantém o calor durante o dia e o libera durante a noite, apressando o amadurecimento das uvas. As pedras também podem servir como uma camada protetora para ajudar a reter a umidade do solo durante os meses secos do verão. Algumas das mais prestigiadas vinhas na região, como o Chateau Rayas, têm uma aparência mais tradicional, sem as galets. Estas são na maioria das vezes vinhas situadas em encostas viradas para o sul, onde o calor nocturno irradiado pelas pedras seria prejudicial para as videiras e causaria a sobrematuração das uvas.

La Crau

La Crau é de longe a mais famosa vinha de Chateauneuf-du-Pape. Esta vinha é propriedade principalmente do Domaine du Vieux Télégraphe, um dos mais clássicos Chateauneuf, mas também o produtor Henri Bonneau mantém uma firme posição aqui. A vinha é muito rica nas referidas “galets roulés”.

Vinho Châteauneuf-du-Pape

Châteauneuf-du-Pape existe como vinho branco e tinto, sendo o tinto a grande maioria dos vinhos produzidos na região. As regras da denominação não permitem vinhos rosé. Os vinhos são normalmente embalados em pesadas garrafas de vinho escuras, gravadas com o emblema e a insígnia papal.

Fonte: Wikipedia

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Minhas impressões - Syrah vs Shiraz

Boa degustação, porém abaixo da média de eventos recentes da WineStreet. Bom desempenho dos vinhos do Novo Mundo (à exceção do Casa Marin - surpresa negativa), na ausência de competidores à altura do outro lado do Atlântico. Um Hermitage poderia ter feito a diferença, já que o "Imitage", um Costières de Nîmes, não deu nem para o cheiro...

Well, well, dito isso vale lembrar do velho e bom preço. À exceção do Incognito, o restante era bem acessível, até mesmo o melhor vinho da noite, o Schild Estate, que a R$ 103 certamente vale a pena (imagine quando custa na Australia). Certamente um vinho bem agradável e que fará sucesso em um jantar com os amigos.

Outro ponto interessante foi o exagero de 15,8 graus de álcool do californiano Plumpjack...demais para meu gosto, já que a degustação de Amarones já foi...

Até a próxima...


domingo, 24 de outubro de 2010

Syrah vs Shiraz


Na última 5ª feira, dia 21, estivemos no Rosmarino, para mais uma excelente degustação da nossa agenda de 2010: Syrah vs Shiraz. O menu, como não podia deixar de ser, foi escolhido pelo nosso confrade Paulo Sampaio e estava excelente.

O menu harmonizou de forma excepcional com os vinhos degustados..

Couvert
Mini pães, grissini, pão sueco, pão integral com nozes, chèvre al huille e relish de pepino

Entrada
Salatone (saladão com verdes, cenoura, salsão, tomate e azeitonas)

Prato Principal
Peito de pato com amarena, couscous marroquino com legumes; ou
Filé mignon grelhado com redução de Porto com o rosti de batata e gruyère; ou
Risoto de cogumelos mistos

Sobremesas
As já tradicionas Pastiera de Grano, Tiramisù, Bavarese de Chocolate, Tarte Tatin, Creme Brulée e Torta de Maçã.

O ambiente e a comida estavam excelentes, como de costume.

A degustação contou com nove vinhos, sendo dois Australianos, dois Norte Americanos, um Italiano, um Francês, um Portugues, um Sul Africano, e por último um Chileno, com níveis alcoólicos variando entre 14,5 e 15,1%, exceto pelo Plumpjack 2007 que apresentou 15,8% e o Casa Marin com 12%.

A seguir uma breve descrição dos vinhos degustados:

Schild Estate 2005    
Produtor: Schild Estate           
País/Região: Australia/Barossa         
Graduação alcoolica: 14,5%  
           
Perbruno 2005          
Produtor: I Giusti & Zanza      
País/Região: Italia/Toscana  
Graduação alcoolica: 14%     
           
Incognito 2003          
Produtor: Cortes de Cima       
País/Região: Portugal/Alentejano     
Graduação alcoolica: 14.5%  
           
Mitchelton 2004       
Produtor: Mitchelton  
País/Região: Australia/Central Victoria        
Graduação alcoolica: 14.5%  
           
Les Pilier 2004           
Produtor: Michel Gassier       
País/Região: França/Costière de Nîmes        
Graduação alcoolica: 14%     
           
The Maverick 2005   
Produtor: Bellingham
País/Região: Africa do Sul/Costal Region     
Graduação alcoolica: 15%     
           
Shake Rattle Roll 2005         
Produtor: Red Car Wine         
País/Região: USA/Santa Maria          
Graduação alcoolica: 15.1%  
           
Plumpjack 2007        
Produtor: Plumpjack Winery  
País/Região: USA/Napa         
Graduação alcoolica: 15.8%  
           
Casa Marin Miramar 2008    
Produtor: Casa Marin 
País/Região: Chile/San Antonio         
Graduação alcoolica: 12%     

Vinhos degustados


Os vinhos degustados eram excelentes, porem com pouca evolução. O painel apresentou um nível bastante equilibrado, com as médias apresentando pequena variação, exceto pelos dois últimos vinhos que ficaram bastante distantes. O vinho que ficou em último lugar foi o Casa Marin 2008, com um forte aroma de madeira e bastante desiquilibrado, escolhido o pior vinho por 5 confrades e o segundo pior por outros 3.

O penúltimo vinho do painel, por mais incrível que possa parecer, foi o Incógnito 2003, que se mostrou curto e com um estranho aroma vegetal, tendo sido escolhido o pior  vinho por 3 confrades e o segundo pior por outros 2.

O Campeão da noite, foi o magnifico Schild Estate 2005, importado pela Decanter, que  arrebatou nada menos do que a preferência de 5 confrades, tendo sido escolhido segundo por outros 4. Com 1,4 pontos a menos, ficou o excelente Sul Africano, Bellingham - The Maverick 2005.


Vejam os resultados completos abaixo.


No nosso próximo encontro, no dia 18 de Novembro, quando degustaremos Chateauneuf du Pape. Até lá....

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Syrah vs Shiraz - Will the real red wine grape please stand up?


É hora de esclarecer um pequeno mal-entendido: Shiraz e Syrah são a mesma uva. Esta é uma daquelas coisas que podem confundir os bebedores novatos por anos. Acredite ou não, ninguém sabe realmente por que a uva tem dois nomes diferentes. Existem numerosos mitos, mas nenhum deles é verdadeiro, então eles realmente não importam. O que importa é a diferença entre os dois nomes e quando usá-los. Felizmente, é relativamente simples.

Syrah é o nome do velho mundo, e é usado quando se refere aos vinhos do Vale do Rhône, ou os vinhos feitos no mesmo estilo, como os da Califórnia. Shiraz é o nome dado no “novo mundo”, e principalmente para vinhos feitos em um estilo moderno, como os da Austrália.

SYRAH

Um pouco técnico demais? Digamos o seguinte: O Vale do Rhône é a região da França que definiu a uva, da mesma forma que Zeppelin e os Stones definiram o rock & roll.  Regiões como Hermitage e Côte-Rôtie são famosas ao redor do mundo, mas, como ingressos para ver os roqueiros clássicos, não são baratos. Os mais em conta estão dispersos ao redor do Vale do Rhône, mas são geralmente blends com outras uvas para amaciá-los. Cerca de 50 anos atrás, assim como a Beatlemania, a Syrah se estabeleceu.

A Califórnia faz agora grande quantidade deste vinho maravilhoso. Assim como a maioria dos “indie rock” modernos soa um pouco como Iggy Pop ou John Lennon, O Syrah da Califórnia tem definitivamente um charme francês, enquanto mantendo seu toque de modernidade. A Califórnia tambem mistura as mesmas uvas que os seus contrapartes franceses, criando uma visão moderna de um estilo clássico.

SHIRAZ

Principalmente utilizado na Austrália, o nome Shiraz é usado quando o estilo é um vinho “big”, “fat”, “juicy”, “in-your-face” e moderno. Esses produtores são roqueiros punk do mundo do vinho, e tem dado trabalho desde 1800. Embora a Austrália produza milhões de caixas de “Yellow Tail” e “The Little Penguin”, este é o trivial pop star do vinho. As vinícolas que "fazem apenas boa música", chamam menos atenção, mas fazem um vinho matador. Com equipamentos incrivelmente modernos e enólogos altamente treinados, eles estão produzindo vinhos simples e ousados, como as contribuições dos Pixies ou o início do Nirvana, para o rock moderno.

Você só precisa gostar do estilo "head-butt you and knock out a few teeth but buy you a drink afterward while you catcall the cute bartender".

Vinicolas em todo o mundo começam a imitar o estilo, incluindo lugares como Nova Zelândia, África do Sul e até mesmo algumas adegas na Califórnia.

Por Balliet TYLER

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O nome Shiraz

É chamada Syrah em seu país de origem, a França, bem como no resto da Europa, Argentina, Chile, Nova Zelândia, Uruguai e na maior parte dos Estados Unidos. O nome Shiraz tornou-se popular para essa variedade de uva na Austrália, onde  tem, já faz algum tempo, sido a variedade de pele escura mais cultivada. Na Austrália, foi também comumente chamada Hermitage até final dos anos 1980, porem, considerando-se que o nome é também uma denominação de origem protegida na França, esta prática de nomeação causou problemas em alguns mercados de exportação e foi descartada. O nome Shiraz para esta casta é também comumente usado na África do Sul e Canadá.

A uva também é conhecida por muitos outros sinônimos que são usados em várias partes do mundo, incluindo: Antourenein Noir, Balsamina, Candive, Entournerein, Hignin Noir, Marsanne Noir, Schiras, Sirac, Syra, Syrac, Serine e Sereine.

Parece que muitas das lendas da origem da Syrah vêm de um dos seus muitos sinônimos - Shiraz. Uma vez que há também uma cidade Iraniana chamada Shiraz, onde o famoso vinho Shirazi era produzido. Algumas lendas afirmam que a uva Syrah foi originada em Shiraz, e trazida para Rhône, o que tornaria a Syrah um sinonimo local francês e Shiraz, o nome próprio da variedade.

Há pelo menos duas versões significativamente diferentes do mito, dando conta de como a variedade foi supostamente trazida de Shiraz para o Rhône e elas divergem em até 1.800 anos. Em uma versão, os Phocaeans teriam trazido a Syrah/Shiraz para sua colônia em torno de Marselha (então conhecida como Massilia), fundada por volta de 600 AC. A uva deve, posteriormente, ter feito o seu caminho para o norte do Rhône, que nunca foi colonizado pelos Phocaeans. Não existe prova documental para apoiar esta lenda, e teríamos tambem que acreditar que a variedade mais tarde desapareceu da região de Marselha, sem deixar nenhum vestígio.

Em outra versão, a pessoa que trouxe a variedade de Rhône é inclusive nomeada, sendo o cruzado Gaspard de Stérimberg, que supostamente construiu a capela de Hermitage. Mesmo antes do advento da tipagem do DNA de uvas, houve vários problemas com essa lenda. Em primeiro lugar, não parece que foram realizadas investigações ampelográficas das uvas de Shiraz. Em segundo lugar, está documentado que o famoso vinho Shirazi era branco, descartando o uso de de uvas de pele escura, como Syrah, e não existem descrições conhecidas do sabor e características, indicando qualquer semelhança com os vinhos tintos do Rhône. Terceiro, é muito duvidoso que qualquer cruzado teria viajado tanto ao leste, até a Pérsia, uma vez que o cruzadas se concentraram sobre a Terra Santa.

A lenda ligação a Syrah com a cidade de Shiraz, no Irã pode, no entanto, ser de origem francesa. James Busby escreveu no diário de uma visita recente às principais vinhas da Espanha e da França que o livro de 1826 Œnologie Française, "afirmou que, de acordo com a tradição da região, a planta [Scyras] foi originalmente trazida de Shiraz na Pérsia, por um dos eremitas da montanha".

Como o nome Shiraz tem sido utilizado principalmente na Austrália nos tempos atuais, enquanto os documentos mais antigos australianos usam a palavra "Scyras", Especula-se (entre outros por Jancis Robinson) que o nome Shiraz foi na verdade criado a partir da reorganização de Scyras ("strinization").

No entanto, embora os nomes Shiraz e Hermitage gradualmente parecem ter substituído Scyras na Austrália a partir de meados do século 19, a ortografia Shiraz também foi documentada em fontes britânicas por volta de 1830. Assim, enquanto o nome ou grafia Shiraz pode ser um efeito do idioma Inglês em um nome francês, não há evidências de que ele realmente originou na Austrália, embora tenha sido definitivamente o uso na Austrália e pelos vinhos australianos que fizeram o uso desse nome popular.

Outras lendas

Outra lenda sobre a origem da variedade da uva, com base no nome Syrah, é que ela foi trazida de Syracuse pelas legiões do imperador Romano Probus algum tempo depois de 280 DC. Essa lenda também carece de provas documentais e é inconsistente com os achados ampelográficas.

Fonte: Wikipedia

domingo, 3 de outubro de 2010

Origem da Syrah

A Syrah tem uma longa história documentada na região do Rhône, Sudeste da França, mas não se sabia se ele tinha se originado na região. Em 1998, um estudo conduzido pelo grupo de pesquisa de Carole Meredith no Departamento de Viticultura e Enologia da Universidade da Califórnia, em Davis, usando a tipagem do DNA e extensivo material de referência da uva, da estação de pesquisa vitícola de Montpellier, na França, concluiu que a Syrah era resultado do cruzamento das castas Dureza (pai) e Mondeuse Blanche (mãe).


Dureza é uma uva de pele escura da região de Ardèche, na França, que praticamente desapareceu das vinhas. A preservação dessas variedades é uma especialidade de Montpellier. Mondeuse Blanche é uma variedade de uva branca cultivada na região de Savoie, e ainda hoje, encontrada em quantidades muito pequenas nos vinhedos da região. Ambas as variedades são um tanto obscuras atualmente, e nunca conseguiram fama ou popularidade similar à da Syrah, e não há registro dela terem sido cultivadas longe de sua casa atual. Assim, ambos os pais da Syrah vêm de uma área restrita no sudeste da França, muito perto do norte do Rhône. Baseado nestas descobertas, os pesquisadores concluíram que a Syrah é proveniente do norte do Rhône.

A tipagem de DNA não deixa margem para dúvidas sobre esta questão, e as inúmeras outras hipóteses de origem da uva, apresentadas ao longo dos anos, não trazem suporte documental ou investigações ampelográficas, seja por métodos de botânica clássica ou DNA . Em vez disso, eles parecem ter se baseado principalmente ou exclusivamente no nome ou sinônimos da variedade. Em função da variação ortografia de nomes de uva, especialmente para as variedades antigas, esta é, em geral, uma prova muito fraca. Apesar disso, origens como Syracuse ou a cidade iraniana de Shiraz têm sido propostas.

As informações de parentesco entretanto não revelam a idade da variedade de uva, ou seja, quando a polinização de uma vinha Mondeuse Blanche por Dureza ocorreu, criando a semente da planta Syrah original. No ano de 77 DC, Plínio, o Velho escreveu em sua Naturalis Historia sobre os vinhos de Vienne (que hoje seria chamado de Côte-Rôtie), onde o Allobroges produziu um famoso e apreciado vinho de uma casta de pele escura que não havia existido 50 anos antes, na época de Virgílio. Plínio chamou as videiras deste vinho Allobrogica, e especula-se que poderia ser o Syrah de hoje. No entanto, a descrição do vinho também se enquadra, por exemplo, na Dureza e a observação de Plínio que as videiras da Allobrogica eram resistentes ao frio não é totalmente consistente com Syrah.

Fonte: Wikipedia

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Minhas opiniões - Tops Sul Americanos

Mais uma degustação excelente na Wine Street. E muito interessante foi o fato de que boa parte dos tops sul americanos degustados não caíram no lugar comum de muitos vinhos do Novo Mundo, com a fórmula já banalizada de explosão de frutas, madeira presente e álcool em abundância.

Alguns, como o Casa Real (sempre de altíssima qualidade) e o Chadwick, já se revelaram como chilenos no nariz, enquanto o Don Melchor e (especialmente) o Almaviva trouxeram um estilo mais elegante, com referências aos Bordeaux. Pena termos tido o desfalque de última hora do Montes Alpha M e de não termos conseguido um Clos Apalta nas safras desejadas, para ver onde se posicionariam...

Entre os argentinos, destaque para o Catena Estiba Reservada, que apesar de 100% CS, se mostrou bastante elegante, certamente um vinho (ainda) de boa relação custo benefício. O CARO não surpreendeu nem comprometeu, mas o Yacochuya mostrou sinais claros de evolução (era um 2001), caindo bastante durante a prova. Coincidence or not, 90% Malbec.

Mas, por outro lado, o grande destaque da degustação, em minha opinião, foi o Almaviva. Mesmo às cegas já se mostrava um vinho de elevadíssima qualidade, confirmando a opinião daqueles (eu incluído) que o apontam como o melhor vinho da América do Sul. Muito equilibrado, boa acidez, taninos macios mas presentes, persistência longa e um olfativo muito complexo. Realmente um vinho para entrar em uma degustação mundial de corte bordalês (ou quase, já que substitui a Merlot pela Carmenere) e fazer bonito...

Quero mais....

Abraços

sábado, 18 de setembro de 2010

Tintos Top da America do Sul

Na última 5ª feira, dia 16, estivemos no Rosmarino, para uma excelente degustação de Tintos Top da America do Sul. O menu estava excelente, e os vinhos realmente fantásticos

O menu, escolhido pelo nosso confrade Paulo Sampaio, estava ótimo e harmonizou de forma perfeita com os poderosos tintos degustados.. 

Couvert
Mini pães, grissini, pão sueco, pão integral com nozes, chèvre al huille e relish de pepino

Entrada
Salada verde com tomatinhos cereja, mussarelinha de búfala e brie quente ao mel e amêndoas

Prato Principal
Picanha de cordeiro grelhada com gateau de mandioquinha, ou
Risoto de cogumelos mistos

Sobremesas
As já tradicionas Pastiera de Grano, Tiramisù, Bavarese de Chocolate, Tarte Tatin, Creme Brulée e Torta de Maçã.

A comida e o local, como de costume, estavam excelentes.

A degustação contou com sete vinhos, sendo quatro Chilenos e tres Argentinos, com níveis alcoólicos variando entre 14 e 14,5%, exceto pelo Yacochuya que apresentou 16%. Os chilenos eram todos do Vale do Maipo, e os argentinos, dois de Mendoza e um de Salta.


A seguir uma breve descrição dos vinhos degustados:

Yacochuya 2001
Produtor: Yacochuya
País/Região: Argentina/Salta
Variedades: 90% Malbec e 10% Cabernet Sauvignon
Graduação alcoolica: 16%

Viñedo Chadwick 2003
Produtor: Vina Errazuriz
País/Região: Chile/Puente Alto, Maipo
Variedades: 100% Cabernet Sauvignon
Graduação alcoolica: 14%

Don Melchor 2003
Produtor: Concha y Toro
País/Região: Chile/Puente Alto, Maipo
Variedades: 100% Cabernet Sauvignon
Graduação alcoolica: 14.5%

Santa Rita Casa Real 2002
Produtor: Vinã Santa Rita
País/Região: Chile/Valle de Maipo
Variedades: 100% Cabernet Sauvignon
Graduação alcoolica: 14%

Almaviva 2001
Produtor: Vina Almaviva
País/Região: Chile/Puente Alto, Maipo
Variedades: 70% Cab. Sauvignon, 27% Carmernere e 3% Cab. Franc
Graduação alcoolica: 14.2%

CARO 2003
Produtor: Bodegas Caro
País/Região: Argentina/Mendoza
Variedades: 60% Cabernet Sauvignon e 40% Malbec
Graduação alcoolica: 14%

Estiba Reservada 2004
Produtor: Catena Zapata
País/Região: Argentina/Lujan de Cuyo
Variedades: 100% Cabernet Sauvignon
Graduação alcoolica: 14%

Vinhos degustados

 Os vinhos degustados eram de grande qualidade, sendo que alguns deles já apresentavam excelentes aromas de evolução. O painel apresentou um nível bastante equilibrado, com as médias apresentando pequena variação. O vinho que ficou em último lugar foi o Yacochuya 2001, que se mostrou curto e pouco aromático, ficando em último na escolha de tres confrades.

O Campeão da noite, foi o Magnífico Santa Rita Casa Real 2002, que por uma diferença de 1 décimo ganhou do Almaviva 2001, que ficou em segundo lugar. Entretanto, o Almaviva apresntava aromas muito mais interessantes do que o campeão. O Casa Real foi escolhido o melhor vinho por um confrade e o segundo melhor por outros dois. Já o Almaviva, foi escolhido o nelhor vinho por 3 confrades.









Vejam os resultados completos abaixo.


 

No nosso próximo encontro, no dia 21 de Outubro, quando degustaremos Syrah vs Shiraz. Até lá....

sábado, 4 de setembro de 2010

Os Super Vinhos da América do Sul

Especialistas dizem que o universo do vinho está dividido entre Novo e Velho Mundo. Conheça os Grands Crus Classés produzidos por nossos vizinhos

por Luiz Gastão Bolonhez

Muitas pessoas pensam que os vinhos chilenos e argentinos só fazem sucesso no Brasil e que são simples e baratos. Hoje, temos na América do Sul desde vinhos com custo acessível até verdadeiras obras-primas. O conceito "super vinho" nasceu na Toscana, Itália, na década de 70. Nessa época, muitos produtores da região romperam com o consórcio local, que não permitia o uso de uvas "estrangeiras". Mais de vinte anos depois, os americanos criaram o conceito Super Tuscan. Os "Super Toscanos" são quase sempre vinhos à base da uva Cabernet Sauvignon e, na maioria das vezes, custam mais de US$ 100 a garrafa. Aqui no Brasil temos algumas que chegam a custar US$ 900.

Esse contágio mercadológico chegou recentemente ao Chile e algumas publicações criaram o Super Chilean Wine. Prevendo essa tendência entre nossos vizinhos, ADEGA vai além e lança o conceito dos vinhos Super Sul-Americanos, englobando os rótulos TOP dos produtores da América do Sul. Antigamente, haviam poucos vinhos produzidos nesta região acima de R$ 100. Hoje há mais de 100 rótulos que passam desse valor. Alguns chegam a custar R$ 500.

Tudo começa no Chile

Em 1987, a vinícola Concha y Toro decidiu fazer um vinho de alta gama proveniente de uvas de solo chileno. Nascia o Don Melchor, um Cabernet Sauvignon elaborado com uvas provenientes do Vale do Maipo, nas cercanias da capital Santiago, mais precisamente em Puente Alto. O que impressiona nesse vinho é sua regularidade. Após 1993, os Don Melchor´s sempre apresentaram muita qualidade.

Essa visão empreendedora partiu de Eduardo Gilisasti e Alfonso Larrain, dois dos principais acionistas da hoje líder em volume de litros de vinhos produzidos no Chile, e que está entre as cinco maiores vinícolas do mundo.

Esse foi o ponto de partida para outras vinícolas do país começarem a colocar, no papel, seus projetos de produzir vinhos premium.

A Argentina e o Uruguai despertam para os vinhos premium

Para a felicidade dos enófilos dos quatro cantos do mundo, a Argentina também despertou para esse conceito. Nicolas Catena Zapata colocou no mercado seu vinho premium, o Catena Zapata Estiba Reservada. Desde a safra de 1991, esse vinho é sempre destaque entre os grandes vinhos do País. Com o tempo, a demanda por vinhos premium intensificou-se e até o Uruguai entrou na briga, produzindo vinhos de garage.

Desse país, o mais antigo ícone é o Prelúdio 1995, produzido pela família Deicas, em Canelones, nas imediações de Montevidéu. Uma obra de arte que tem em seu blend a predominância da uva Tannat, a variedade emblemática do País.

Joint-ventures e parcerias dão impulso à produção de super vinhos

O solo chileno é tão promissor que foi lá que as joint-ventures começaram a atrair capital de Países com tradição vitivinícola. O primeiro grande projeto surgiu da união de Alfonso Larrain, da Concha y Toro, com Madame Philippine de Rothschild, proprietária do Chateau Mouton Rothschild, em Bordeaux, na França. Os dois produtores decidiram criar um vinho ícone mais significativo do que o próprio Don Melchor, com uvas provenientes da mesma terra. A iniciativa é até hoje uma referência em tecnologia, inovação e vinho de qualidade em terras sul-americanas.

O resultado do projeto é o Almaviva, um dos precursores da "alavancagem" do vinho premium chileno ao redor do mundo.

Quase simultaneamente ao desenvolvimento do projeto Almaviva, Aurélio Montes, da Viña Montes, preparava o seu vinho top chamado Montes Alpha M, continuação bem sucedida da linha Montes Alpha. Ainda no Chile, Robert Mondavi, no auge de seu sucesso, investiu no projeto Seña em parceria com o empresário local, Eduardo Chadwick.

O Seña teve seu lançamento na safra 1995, um ano antes da grande tacada da Concha y Toro no projeto Almaviva.

É um vinho que até hoje está entre os melhores produzidos no Chile, mesmo em safras difíceis. O Seña 2001 é o melhor exemplar já produzido e está a altura de qualquer vinho à base da uva Cabernet Sauvignon de qualquer canto do mundo.

Em 1999, Chadwick lançou seu próprio vinho premium, o Viñedo Chadwick, cujas uvas vêm de uma micro-região ao lado do projeto Almaviva. São vizinhos de muro. O projeto atual do empresário é transformar esse vinho no número 1 do País. Para isso, decidiu colocar o Chadwick e o Seña em uma degustação às cegas ao lado de ícones de Bordeaux, como Margaux e Latour. A prova ocorreu em 2004, em Berlim, e ficou conhecida como Cata de Berlim, posteriormente repetida em outros países do mundo, como Japão e Brasil.

No Chile, além dos investimentos de mega empresários, a presença de excelentes profissionais do vinho foi fundamental para essa arrancada. É o caso do chileno de nascença (pai francês e mãe chilena), Patrick Valette, cujos familiares foram proprietários do hoje badaladíssimo Chateau Pavie, em Saint Emilion, na França. Há quase uma década, Patrick produz o espetacular vinho El Principal. A safra 1999 é espetacular e quase imbatível em degustações às cegas. O enólogo comprou terras em Apalta, uma das melhores sub-regiões de Colchagua, ao sul de Santiago, onde há parreiras muito antigas (80 anos) de Carmenére e outras variedades. E lançou, na safra de 2003, outro vinho premium, denominado Neyen.

Essas joint-ventures continuam a todo vapor. Ultimamente houve grandes investimentos no Chile como o projeto Altair, uma parceria entre os proprietários do Chateau Dassault, de Bordeaux, e a gigante Viña San Pedro, a segunda maior vinícola do Chile. Uma adega sensacional para produzir um vinho ícone de mesmo nome, na região de Cachapoal, ao estilo Almaviva.

Com o tempo, novas regiões foram exploradas e vales, antes quase desconhecidos, começaram a produzir maravilhas. O caso de maior destaque é o da vinícola Matetic, no novíssimo Vale de Leyda (Vale de Santo Antonio, ao sul de Valparaiso), que, logo nas primeiras safras, produziu o melhor Syrah chileno. No mesmo vale, também são produzidos os melhores Pinot Noirs do País, considerados rivais dos vinhos neozelandeses dessa variedade. Atualmente a Casa Marin é responsável por colocar no mercado os melhores Pinot Noirs da América do Sul. A tendência é que eles ganhem destaque no mundo.

Os franceses do renomadíssimo Chateau Lafite Rothschild, liderados pelo empresário Eric de Rothschild, iniciaram, em 1988, uma investida no País. Para comemorar os dez anos da vinícola no Chile, lançaram o vinho premium Le Dix de Los Vascos, talvez o que mais apresente o estilo Velho Mundo dentre os TOP chilenos. O Le Dix 2001 é um dos vinhos mais herbáceos dos premiuns chilenos. Eric não parou por aí e, em 2000, lançou, com Nicolas Catena, o seu vinho TOP na Argentina, o CaRo (Catena & Rothschild), um dos rótulos argentinos de maior procura nos últimos anos.

Na Argentina, houve nos últimos anos uma verdadeira enxurrada de novos produtores provenientes da Europa e dos Estados Unidos. Da Europa, uma forte presença de enólogos e investidores. Da Itália, Alberto Antonini, ex-enólogo chefe de Piero Antinori, tornou- se consultor de inúmeras vinícolas em terras portenhas. A família Masi, do Veneto, Itália, investiu pesado e comprou muitas terras na Argentina. Com projetos inovadores, eles lançaram um vinho chamado CorBec, um blend de Corvina (uva clássica do Veneto e espinha dorsal dos Amarones) com a uva emblemática da Argentina, a Malbec.

A crítica, de modo geral, está elogiando esse vinho inovador produzido a partir de uvas 'passificadas', como são feitos os Amarones.

Noemi Cinzano, do conglomerado de mesmo nome, comprou terras na Patagônia e começou a produzir o mais denso vinho à base da uva Malbec na Argentina. O Noemía é o vinho mais caro de nosso continente. Da França, veio o consultor Michel Rolland, que, no Chile, foi o idealizador do Clos Apalta, da Vinícola Lapostole, um dos vinhos premium do País mais disputados e talvez o mais cobiçado atualmente nos EUA. Na Argentina, Rolland foi além de sua consultoria e investiu em terras, fundando, em conjunto com empresários franceses, o Clos de Los Siete, onde produz vinhos muito concentrados ao seu estilo, ou seja, robustos, encorpados, com muita fruta e madeira. Dentre os destaques de Rolland na Argentina estão os Monteviejo, em parceria com a vinhateira francesa, Catherine Verge, proprietária do Chateau Le Gay em Pomerol.

Ainda da França, a gigante LVMH tem no projeto Terrazas uma grande aposta e produz vinhos cada vez melhores. Na categoria premium, o destaque da empresa é o projeto Cheval des Andes, com a supervisão de Pierre Lurton, o enólogo responsável pelo ícone Chateau Cheval Blanc. O 2002 é muito especial e o primeiro grande vinho de Pierre na Argentina. Da Espanha vieram os Fournier, da Ribera de Duero, que construíram no Vale do Uco uma vinícola de padrão internacional. Seus vinhos denominados Alpha Crux estão entre os melhores premium da Argentina.

Além de estrangeiros, há alguns destaques regionais na Argentina que decidiram há algum tempo produzir grandes vinhos. Susana Balbo (enóloga) e seu esposo Pedro Marchwesky (viticultor) deixaram a Bodega Nicolas Catena Zapata para desenvolverem um projeto solo. Juntos lançaram a vinícola Domínio del Plata. Susana tem como seu super vinho o poderoso Briso, que ela mesma denomina de Ultra-Premium. Seu marido lançou, em 2004, o BenMarco Expressivo.

Esse vinho, delicioso e muito perfumado, foi um dos destaques de nosso último Enogoumert publicado na edição nº 17.

Na Argentina, também vale destaque a Bodega Nieto Senetiner, que lançou, no meio da década de 90, seu super vinho à base da uva Malbec batizado de Cadus Malbec. Um dos mais clássicos vinhos da Argentina e já considerado, pela crítica inglesa Jancins Robinson, o melhor Malbec do mundo.

ADEGA teve o privilégio de organizar uma degustação com 36 vinhos premium do Chile e da Argentina. Os chilenos estavam em maior número, com 22 vinhos. Dessa vez, eles se saíram melhores na avaliação. Na seção Cave desta edição, estão em destaque 22 dos mais estrelados vinhos Super Sul-Americanos. Que essas comparações sirvam sempre de estímulo ao mundo vitivinícola. ADEGA torce para que a saudável competição entre Chile e Argentina esteja sempre focada na melhoria crescente da qualidade. E mais, que a 'briga' prossiga, já que os beneficiados somos nós, os amantes de bons vinhos. Viva a América do Sul e salud!

Fonte: Revista ADEGA 18ª edição